SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

 
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Volume II - número 02 - Dezembro - 2005


Mensagem aos leitores
• Mensagem para os leitores
Cartas do leitor
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Disfunções Sexual
• O que é satisfação sexual?

• Disfunção erétil: Quais exames e quando pedir

• Quando ouvir é o melhor remédio

• As alterações sexuais do homem idoso

• Indicações e limitações da androgenioterapia no climatério

Reprodução Humana
• Fatores preditivos para recuperação de espermatozóides em pacientes com azoospermia não obstrutiva.

Resumos de Atualização
Aspectos éticos na reprodução assistida de casais hetero e homosexuais HIV positivos


• Pesquisa:
Reprodução assistida em casais HIV positivos
 

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Volume II - Número 2 - Dezembro - 2005

O que é satisfação sexual?

Gerson Lopes,
Mônica Maia*

Estamos vivendo a era da alta velocidade na evolução tecnológica. Presenciamos essa rapidez em todas as áreas do conhecimento científico, desde a genética até a informática. Em 1953, Watson e Crick desvendaram a estrutura da molécula de DNA, ou código genético. Hoje, 50 anos depois, as possibilidades que a engenharia genética nos oferece superam as peripécias de qualquer filme de ficção científica.

Entretanto, há uma cisão entre senso comum e conhecimento científico. A população, em geral, não incorpora esses avanços no seu cotidiano e, em conseqüência, nos seus valores e em suas posturas de vida. É neste sentido que o conceito de satisfação sexual é vivenciado de forma variada. Para alguns homens, a maioria, existe uma relação estreita entre qualidade de ereção e satisfação sexual, ao passo que para algumas mulheres, a maioria jovens, satisfação sexual está ligada à condição de ter orgasmo (de preferência pelo coito). Para outras pessoas, o conceito de satisfação é muito mais amplo.

Para o bem viver da sexualidade e do sexo, precisamos redimensionar seus significados. A sexualidade é um aspecto inerente da personalidade humana, que está presente em nós desde a vida intra-útero até o momento da nossa morte. A fecundidade não é o objetivo único da sexualidade. É preciso humanizar o ato sexual independente da procriação. A união sexual simboliza a busca da unidade, a realização plena do ser.

A sexologia atual entende que a adequação sexual existe quando cada um dos parceiros está bem consigo mesmo e com o outro; em suma, quando existe satisfação de um e do outro. A inadequação sexual aparece quando não há harmonia entre ambos, em que há insatisfação de um e/ou do outro. O impedimento da satisfação sexual pode estar na presença de uma disfunção sexual, ou em um distúrbio de freqüência ou preferência sexual.

Para preservar a saúde sexual nos relacionamentos, o médico pode ajudar, incentivando a pessoa a realmente escutar o(a) parceira, esclarecendo sobre o que gosta de fazer sem que tenha de exigir qualquer coisa; e ajudando-o(a) a amar seu corpo e seus prazeres e a não levar as imperfeições tão a sério.

Quando tentamos, ou queremos, evitar a satisfação sexual, estamos, no fundo, evitando o movimento da vida. A vida está no movimento. Para Wolber de Alvarenga, psicólogo e poeta, o grande problema das pessoas é querer ser o que não são, ter o que não têm e estar onde não estão, sem ter de trabalhar para isso. Por isso, muitos se queixam de insatisfação sexual, sem, no entanto, atuarem na construção de uma vida sexual satisfatória. Têm que deixar de culpar ou colocar no outro a responsabilidade da satisfação no sexo. Talvez isso se consiga mais fácil, quando o indivíduo se coloca disponível a fazer um movimento no sentido do convencional para o pessoal; de fora para dentro. Deixar de ser aparência, exterior e conquista para se tornar essência, interior e realizações.

Atuando desta maneira, existe a possibilidade de se valorizar o que se tem e de trabalhar para atingir o que se pode buscar. A pessoa passa a conhecer a influência de dois mundos: o convencional, que dá condição de sobrevivência (amparo) e o pessoal, que o liberta para o crescimento. O mundo convencional ligado ao hemisfério esquerdo do cérebro se comporta como o alicerce da casa, Lógico, racional, de aparência, concreto, objetivo, estratégico, no qual podemos manipulá-lo e controlá-lo. O mundo pessoal, ligado ao hemisfério direito do cérebro, é a decoração, a intimidade, onde o ser se expressa lá no seu íntimo. Brota, portanto, das relações interpessoais; é subjetivo, único, imprevisível e incontrolável. No máximo, podemos compreendê-lo. Tem suas próprias leis, que nem sempre estão de acordo com o outro mundo.

Os avanços da medicina sexual podem a possibilidade de minimizar os impactos negativos que possam comprometer sua saúde sexual e, conseqüentemente, sua qualidade de vida. Nós somos os(as) únicos(as) responsáveis por nossa qualidade de vida, ou melhor, pela nossa (in)satisfação sexual. As pessoas e as coisas podem apenas nos facilitar ou dificultar.

Algumas medicações e/ou orientações médicas/terapêuticas podem constituir em agente facilitador do sexo, com possibilidade de repercussão na satisfação sexual. Quando uma medicação é prescrita para um caso de disfunção eretiva, por exemplo, com o resultado de uma melhor qualidade da ereção, ela pode ajudar este homem a vivenciar mais o sexo dentro de um conceito de satisfação sexual. Porém, nunca se deve esquecer que atrás da ereção, há um ser humano com toda a sua história e, ao seu lado, outro ser humano.

Fazendo sexo de maneira efetiva e segura, com ajuda da medicação, o homem pode aprender, em um processo de amadurecimento, a fazer amor. Entendemos aqui que fazer amor é colocar o foco na experiência da relação, na troca de prazeres, no brincar e no prazer que dele advêm. O fazer sexo é colocar o foco no resultado, na ereção e na capacidade de atingir o coito e o orgasmo.

Será que as drogas pró-sexuais seriam contrárias a uma sexualidade mais humanizada? De maneira nenhuma. Dependendo do uso que delas se faz, em muitos casos, a facilitação da função pode resultar na facilitação do encontro, a essência da sexualidade.

Infelizmente, na nossa cultura, existe o mito de que o sexo é uma experiência a dois. Entretanto, uma das formas de satisfação sexual é a masturbação ou auto-erotismo, lamentavelmente, ainda muito combatido. É uma prática saudável, a ponto de podermos perguntar: por que não alto-erotismo, isto é, erotismo em alto nível?

Sexo para um, sexo solitário, auto-erotismo, masturbação. O significado? Provocar o prazer sexual pelo contato da mão ou por meio de instrumentos adequados, nos próprios órgãos genitais.



Gerson Lopes
Membro da Academia Internacional de Sexologia Médica

Mônica Maia:
Especialista em Educação Sexual

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Lopes G, Maia M. Sexo para os de maior idade (no prelo).

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