SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

 
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Edição 03 - Janeiro / Março - 2005


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Saúde Sexual
• Definições e Classificações das disfunções sexuais dos homens
Disfunção Erétil
• Novos caminhos indicam coquetel de drogas para tratamento da disfunção erétil

• Disfunção erétil do paciente com trauma raque-medular
Eventos
• Simpósio da Sociedade Latino-Americana para o Estudo de Impotência e Sexualidade
Falometria
• Falometria e estudo antropológico do pênis
Infertilidade
• Antioxidantes, inibidores de aromatase e outras terapêuticas para infertilidade masculina

• Atenção psicológica ao casal infértil
Reprodução Assistida
• A formação do embriologista
 

volta
Volume I - Número 3 - Janeiro / Abril - 2005

Definições e Classificações das disfunções e das
respostas sexuais dos homens, ao longo dos tempos1

Cila Ankier, Sidney Glina *

Embora existam muitas informações e campanhas educativas sobre a saúde sexual masculina, as disfunções sexuais masculinas ainda são um tabu, o que impede o homem de procurar tratamento médico ou psicólogo. Entre o início da disfunção e a efetiva consulta, o homem demora em média 3,5 a 4 anos (Glina 1999, Glina 2002a).

Quando, finalmente, o homem chega à consulta, é importante realizar uma anamnese detalhada, buscando-se informações sobre sua situação sexual, psicossocial e médica, pois a partir de seu histórico podem-se encontrar os elementos necessários para caracterizar o tipo de disfunção e programar o tratamento adequado (Consenso Brasileiro I 1998, Glina 1999, Gromatzsky 2000).
As causas da disfunção erétil (DE) são diversas: inadequações psicológicas, insuficiência arterial, distúrbios neurológicos, disfunção caverno-veno-oclusiva, distúrbios hormonais, uso de drogas ou medicamentos, doença de Peyronie, tabagismo, alcoolismo, radioterapia em abdômen inferior, cirurgias, traumatismo pélvico e raquimedular (ver artigo página 15), entre outras (Consenso Brasileiro I 1998, Gromatzsky 2000, Consenso Brasileiro II 2002, Glina 2002b).

Até a década de 80, do século passado, o tratamento consistia em injeções intramusculares de testosterona (Sharlip 2002), implantação de prótese (Sharlip 2002, Glina 2002c) e psicoterapia (Reis et al. 1992).

Em 1982, quando Virag descobriu que a injeção intracavernosa de papaverina levava à ereção, foi desenvolvido o teste de ereção fármaco-induzida (TEFI), para auxiliar a diferenciar a DE orgânica da psicogenética. Essa descoberta permitiu maior conhecimento da fisiologia e da fisiopatologia da função erétil (Gromatzsky 2002, Glina 2002d, Torres 2002).

Nova revolução na abordagem da DE ocorreu a partir de 1998, quando surgiram os medicamentos inibidores da fosfodiesterase: sildenafila, tadalafila e vardenafila (Consenso Brasileiro II 2002, Torres 2002). Hoje, existem as terapias de primeira linha (medicação oral e terapia sexual), segunda linha (administração intracavernosa e intra-uretral, dispositivo a vácuo) e terceira linha (prótese peniana) (Consenso Brasileiro II 2002). Além das novas substâncias, descobriu-se também que inúmeras vias estão envolvidas no mecanismo da ereção. Isso significa que várias possibilidades de associações de drogas que atuam nas diversas vias poderão ser utilizadas em um futuro bem próximo, pois por enquanto, ainda estão em fase de estudo (Faria 2005). - ver matéria página 14

Com tantas descobertas, avanços, aprofundamentos e novos conhecimentos adquiridos em pesquisas e novos estudos, as classificações internacionais de doenças e os manuais diagnósticos foram elaborados de forma a padronizar a linguagem para que seja compreendida por diferentes profissionais da saúde. Depois de várias transformações, ampliações e revisões, atualmente os que estão em vigor são: DSM-IV (1995) e CID-10 (1998).

Além destes, os consensos surgiram não só para uniformizar a terminologia, o pensamento e os procedimentos para se diagnosticar e tratar as disfunções sexuais, como também a metodologia de estudos, permitindo a comparação dos dados. Inicialmente, havia consenso apenas para as disfunções masculinas e, paulatinamente, as disfunções femininas foram reconhecidas e incluídas também.

Num consenso inúmeros especialistas do mundo inteiro dividem-se em comitês, para realizarem uma extensa revisão da literatura sobre os diversos aspectos desse assunto. Feito isto, estes renomados especialistas se reúnem novamente para, então, apresentar os dados levantados e, baseados também em sua experiência profissional, chegam a um consenso sobre as recomendações que servirão de guia aos profissionais.

A partir da próxima página, apresentamos, de modo resumido, a evolução das definições e classificações das disfunções e o ciclo de resposta sexual a partir do Consenso de Impotência do National Institute of Health (NIH 1993), realizado em 1992, passando pelo DSM-IV (1995) e da CID-10 (1998), até o último consenso, de 2003.

• O Consenso sobre Impotência do National Institute of Health, foi realizado em dezembro de 1992, em Bethesda, nos Estados Unidos e abordou apenas a disfunção erétil além de recomendar a mudança do termo de “Impotência” para Disfunção Erétil, denominação utilizada até hoje, 2005.

• O I Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil, que foi realizado na cidade de São Roque, em São Paulo, Brasil, em abril de 1998, abordou de modo profundo a disfunção erétil e incluiu um capítulo sobre Doença de Peyronie e outro sobre cirurgia para aumento peniano (Consenso Brasileiro I 1998).

• O próximo foi o I Consenso Internacional de Disfunção Erétil, realizado na cidade de Paris, na França, em julho de 1999, quando a DE também foi abordada em profundidade. Até então, se falava em ejaculação precoce, no entanto, foi verificado que havia outras condições de ejaculação e neste consenso foi apresentado que o orgasmo e a ejaculação são entidades diferentes, embora sejam confundidas como iguais e passaram a ser denominadas como desordens da ejaculação e do orgasmo masculino (para efeitos didáticos e de apresentação, na tabela abaixo estão separadas). Além disso, já se começou a esboçar a mudança da denominação de ejaculação precoce para ejaculação rápida. Como disfunção sexual masculina, foi acrescentado o priapismo. As Disfunções Sexuais Femininas ganharam um capítulo. A cirurgia para aumento peniano não foi contemplada (Consenso Internacional I 2000).

• O II Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil e a Reunião de Diretrizes Básicas em Disfunção Erétil e Sexualidade, realizados na cidade de Campinas, em São Paulo, Brasil, em abril de 2002, seguiram a orientação internacional onde foram abordados os seguintes temas: a disfunção erétil, os distúrbios da ejaculação, a doença de Peyronie, o priapismo e acrescidos os distúrbios androgênicos do envelhecimento masculino interferindo na função sexual, além, das disfunções sexuais femininas e atualização quanto ao aumento peniano (Consenso Brasileiro II 2002).

• Em agosto de 2002, na cidade da Costa do Sauípe, na Bahia, Brasil, os especialistas latino-americanos se reuniram para o I Consenso Latino-americano de Disfunção Erétil, o qual seguiu as mesmas diretrizes do II Consenso Brasileiro (Consenso Latino-americano I 2002).

• O II Consenso Internacional de Disfunções Sexuais: Medicina Sexual, Disfunções Sexuais em Homens e Mulheres, realizado em Paris, na França, em junho de 2003, é o mais recente. Desta vez, as disfunções sexuais masculinas e femininas foram abordadas com a mesma profundidade em um volume específico para cada um dos gêneros. Neste consenso já se recomenda a denominação de ejaculação rápida; assim como, desenvolvimento de estudos para conhecer melhor as desordens de excitação, dispareunia e aversão sexual masculina cuja proposta de definição é ser igual a das mulheres; e o ciclo de resposta sexual não é mais considerado como linear. (Consenso Internacional II 2004).

A partir da página 5 são apresentadas as classificações e definições recomendadas pelos Consensos, os itens assinalados em vermelho correspondem às atualizações e aspectos que merecem atenção e estudo.

Os consensos recomendam as disfunções sexuais masculinas, se investigue:
1 - A cronologia de aquisição
• Primária: sempre esteve presente desde o início da atividade sexual (investigar infância, adolescência e relacionamentos anteriores).
• Secundária: foi adquirida após atividade sexual normal (investigar o contexto psicológico e médico que ocorria quando a disfunção se instalou).
2 - As circunstâncias em que ocorre
• Situacional: a disfunção ocorre apenas em algumas circunstâncias, isso sugere que não há falha na resposta sexual orgânica.
• Generalizada: se manifesta em todas as situações e mediante quaisquer estímulos sexuais.
3 - A etiologia
• Orgânicas: quando existe comprometimento físico comprovado.
• Psicológicas: quando apenas fatores emocionais estão envolvidos.
• Mistas: uma combinação de fatores orgânicos e psicológicos.
4 - O grau de sofrimento pessoal e da disfunção
• Nenhum, leve, moderado e severo.
5 - O contexto
• Passado: educação negativa, perdas, traumas (físicos, sexuais, emocionais, relacionamentos interpessoais passados, restrições culturais e religiosas).
• Presente: dificuldades interpessoais, disfunção sexual do parceiro, estimulação inadequada e contextos emocionais sexuais não satisfatórios.
• Físico: condições médicas e psiquiátricas, medicamentos, abuso de drogas.


CLASSIFICAÇÕES E DEFINIÇÕES PARA DISFUNÇÃO SEXUAL MASCULINA 1992-2003

DSM-IV
1995

302.71 - TRANSTORNO DO DESEJO SEXUAL HIPOATIVO
É uma deficiência ou ausência de fantasias sexuais e desejo de ter atividade sexual.
A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

CID-10
1998

F52.0 - FALTA OU PERDA DO DESEJO SEXUAL
Há falta ou uma perda de desejo sexual manifestada pela diminuição de busca de estímulos sexuais, e pensar sobre sexo com sentimentos associados desejo ou apetite ou fantasias sexuais.
Há uma falta de interesse em iniciar atividade sexual tanto com um parceiro quanto masturbação solitária, resultando em uma freqüência de atividade claramente abaixo da esperada, levando-se em conta a idade e o contexto, ou em uma freqüência claramente reduzida de níveis prévios muito altos.

I Consenso
Brasileiro
1998

INIBIÇÃO DO DESEJO SEXUAL
Classificada como: total, desejo hipoativo, situacional, primária e secundária.

I Consenso
Internacional
1999

DESEJO SEXUAL

"Desejo é manifestado pela urgência em ter a relação sexual"..
A redução no grau de desejo ou sua perda pode ser:

Perda precedida de disfunção erétil ou resultado da disfunção.

. Deve-se distinguir entre a perda e preocupação com performance. Se a perda precede a disfunção, pode ter causas orgânicas (exemplo: desordem hormonal); ou após a disfunção, pode ser preocupação com desempenho.

II Consenso
Brasileiro
2002

DESEJO SEXUAL
É mencionado apenas que a diminuição do desejo pode ser conseqüência da diminuição dos níveis de testosterona.

I Consenso
Latino-americano
2002

DESEJO SEXUAL
É mencionado apenas que a diminuição do desejo pode ser conseqüência da diminuição dos níveis de testosterona.

II Consenso
Internacional
2003

DISFUNÇÕES DE INTERESSE/DESEJO SEXUAIS

Para os homens, estas disfunções, de certa forma têm sido negligenciadas na pesquisa epidemiológica, no entanto, são muito comuns na prática clínica. Assim, o consenso recomenda defini-las exatamente iguais às das mulheres, quais sejam:

• Sensações diminuídas ou ausentes de interesse ou desejo sexual, ausência de pensamentos ou fantasias e falta de desejo responsivo.

• Motivações (razões/incentivos) para tentar a excitação sexual são raras ou ausentes.

• A falta de interesse é considerada como além da diminuição normal do ciclo de vida e da duração do relacionamento.

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

DSM-IV
1995

302.79 - TRANSTORNO DE AVERSÃO SEXUAL

A aversão é esquiva ativa do contato sexual genital com um parceiro sexual.

A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

CID-10
1998

F52.1 - AVERSÃO SEXUAL E FALTA DE PRAZER SEXUAL

F52.10 - Aversão Sexual

A perspectiva de interação sexual com parceiro produz medo, aversão ou ansiedade suficientes para que a atividade sexual seja evitada ou se ocorre, ela é associada a fortes sentimentos negativos e a uma incapacidade de experimentar qualquer prazer.

F52.11 - Falta de prazer sexual

A resposta genital (orgasmo e/ou ejaculação) ocorre durante a estimulação sexual, mas não é acompanhada de sensações ou sentimentos agradáveis de excitação prazerosa.

II Consenso
Internacional
2003

DESORDEM DA AVERSÃO SEXUAL

Extrema ansiedade e/ou repugnância à antecipação de/ou tentativa de haver qualquer atividade sexual.

 

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

Consenso NIH
1992

IMPOTÊNCIA

Incapacidade do homem de obter e manter ereção peniana suficiente para permitir uma relação sexual satisfatória.

Verificou-se que o termo Impotência, além de pejorativo, não era adequado, assim, nesse consenso, o termo foi mudado para Disfunção Erétil, pois a inabilidade para obter a ereção passou a ser considerada como um dos múltiplos aspectos que envolvem a função sexual masculina.

Esta deve ser abordada de modo multidisciplinar, pois compreende tanto o aspecto físico quanto o psicológico.

DSM-IV
1995

302.72 - TRANSTORNO ERÉTIL MASCULINO

Incapacidade persistente ou recorrente de adquirir ou manter uma ereção adequada até a conclusão da atividade sexual

A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

CID-10
1998

F52.2 - FALHA DE RESPOSTA GENITAL

Não ocorre ereção suficiente para o intercurso quando este é tentado, a disfunção toma as seguintes formas:

A ereção completa ocorre durante os primeiros estágios da relação amorosa, mas desaparece ou diminui quando o intercurso é tentado (antes da ejaculação, se esta ocorre).

A ereção ocorre, mas apenas às vezes, quando o intercurso não está sendo considerado.

Uma ereção parcial, insuficiente para o intercurso, ocorre, mas não ereção completa.

Não acontece em absoluto nenhuma tumescência peniana.

I Consenso
Brasileiro
1998

DISFUNÇÃO ERÉTIL

Incapacidade permanente de obter ou manter ereção rígida suficiente para uma atividade sexual satisfatória.

I Consenso
Internacional
1999

DISFUNÇÃO ERÉTIL

Incapacidade de obter ou manter ereção suficiente para desempenho sexual satisfatório.

Levando-se em consideração a consistência e o grau da ereção, pode-se classificar a disfunção em: leve, moderada e severa.

Além disso, em primária (ausência da manutenção de ereções rígidas desde a infância ou puberdade) e secundária (surge após um período de obtenção da ereção).

II Consenso
Brasileiro
2002

DISFUNÇÃO ERÉTIL

Incapacidade persistente de obter e manter uma ereção suficiente para uma função sexual satisfatória.

Pode ser classificada em: psicogenética (apenas de ordem psicológica), orgânica (apenas de ordem fisiológica) e mista (de ordem psicogenética e orgânica).

I Consenso
Latino-americano
2002

DISFUNÇÃO ERÉTIL

Incapacidade persistente de obter e manter uma ereção suficiente para uma função sexual satisfatória.

Pode ser classificada em: psicogenética (apenas de ordem psicológica), orgânica (apenas de ordem fisiológica) e mista (de ordem psicogenética e orgânica). Em primária e secundária ou adquirida em algum momento da vida com a função preservada.

II Consenso
Internacional
2003

DISFUNÇÃO ERÉTIL

Inabilidade consistente ou recorrente para obter e/ou manter a ereção suficiente para a atividade sexual.

Para estabelecer o diagnóstico de disfunção erétil considera-se a existência da disfunção por um mínimo de três meses.

Em caso de trauma ou ED pós-cirurgia (por exemplo: prostatectomia radical) o diagnóstico pode ser realizado antes dos três meses.

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

DSM-IV

1995

302.74 - TRANSTORNO ORGÁSMICO MASCULINO

Atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual durante a atividade sexual, que o clínico julga adequada em termos de foco, intensidade e duração, levando em consideração a idade da pessoa.

A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

CID-10

1998

F52.3 - DISFUNÇÃO ORGÁSTICA

O orgasmo nunca foi experimentado em qualquer situação.

A disfunção se desenvolveu após um período de resposta relativamente normal.

Geral: ocorre em todas as situações e com qualquer parceiro.

Situacional: ocorre em certas circunstâncias: apenas durante o sono, nunca em vigília, nunca ocorre na presença de seu par, ocorre na presença de seu par, nas não durante o intercurso.

I Consenso

Brasileiro

1998

DISFUNÇÃO ORGÁSTICA

Falta de controle ejaculatório e inibição ejaculatória: primária, secundária e situacional.

Anorgasmia: incapacidade de alcançar a percepção das sensações de prazer, também primária, secundária e situacional.

I Consenso

Internacional

1999

DESORDEM ORGÁSTICA

Orgasmo é uma sensação de prazer (evento cerebral), geralmente associada com emissão e/ou ejaculação.

Compreende duas fases:

Aumento na tensão da parede uretral prostática e estímulos sensoriais surgindo na área do verumontanum. Deste ponto, o reflexo ejaculatório não pode mais ser bloqueado ou retardado.

. A seguir, vem a fase expulsiva quando os estímulos e a informação são enviados ao sistema nervoso central das glândulas do pênis e de toda a extensão da uretra.

Anorgasmia é a incapacidade de alcançar um orgasmo durante atividade sexual consciente, embora emissão noturna possa ocorrer.

II Consenso

Brasileiro

2002

Não aborda.

I Consenso

Latino-americano

2002

Não aborda.

II Consenso
Internacional
2003

DESORDENS DE ORGASMO E EJACULAÇÃO NOS HOMENS

Embora o orgasmo geralmente coincida com a ejaculação, são eventos corticais distintos, vivenciados tanto cognitiva como emocionalmente. Neste consenso são abordados juntos. Para efeitos didáticos, aqui serão apresentados separadamente.

O orgasmo é o resultado do processo cerebral de estímulos sensoriais do nervo pudendo resultante da pressão aumentada na uretra posterior, estímulos sensoriais aumentando do veromontano e contração do bulbo uretral e dos órgãos sexuais acessórios.

A disfunção orgástica consiste na incapacidade de atingir um orgasmo, uma intensidade marcadamente diminuída das sensações orgásticas ou retardo muito grande do orgasmo durante a atividade sexual consciente.

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

DSM-IV
1995

302.75 - EJACULAÇÃO PRECOCE

Ejaculação persistente ou recorrente com estimulação sexual mínima antes, durante ou logo após a penetração, antes que o indivíduo o deseje. O clínico deve levar em consideração os fatores que afetam a duração da fase de excitação, tais como idade, novidade da parceira ou situação sexual e freqüência da atividade sexual recente.

A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

CID-10
1998

F52.4 - EJACULAÇÃO PRECOCE

Há uma incapacidade de atrasar a ejaculação o suficiente para desfrutar a relação amorosa.

Ela ocorre antes ou muito rápido após o início do intercurso (aproximadamente em 15 segundos).

Ela ocorre na ausência de ereção suficiente para tornar possível o intercurso.

O problema não é o resultado de abstinência prolongada de atividade sexual.

I Consenso
Brasileiro
1998

Não aborda.

I Consenso
Internacional
1999

DISTÚRBIOS DA EJACULAÇÃO

É a passagem do fluido seminal pela uretra e sua expulsão do meato uretral. 

Os distúrbios são classificados em:

Anaejaculação - ausência de ejaculação durante o orgasmo.

Ejaculação retrógrada - passagem retrógrada do sêmen para a bexiga após a emissão, geralmente devido à falha de fechamento do mecanismo do colo da bexiga, demonstrado pela presença de espermatozóides na urina após o orgasmo.

Ejaculação retardada - retardamento excessivo em alcançar o clímax durante a atividade sexual.

Ejaculação precoce ou rápida - incapacidade para retardar a ejaculação o suficiente para desfrutar da relação amorosa.

II Consenso
Brasileiro
2002

DISTÚRBIOS DA EJACULAÇÃO

Ejaculação é um conjunto de fenômenos neuromusculares que permite a progressão do sêmen e sua expulsão pelo meato uretral na fase final da resposta sexual masculina e apresenta duas fases: emissão e expulsão (ejaculação propriamente dita), que na maioria das vezes coincide com o orgasmo.

Os distúrbios mais freqüentemente encontrados são:

Anaejaculação- sensações orgásticas normais presentes, sem expulsão do sêmen. Essa síndrome ocorre quando o sêmen não é produzido ou quando os canais que conduzem o fluido seminal do testículo ao pênis estão ocluídos.

Ejaculação retrógrada (ou retroejaculação) - pode ocorrer por anormalidades estruturais do colo da bexiga (operações da próstata e colovesical, trauma uretral associado à fratura pélvica, disfunção do colo vesical devido à ação de medicamentos), diabetes e outras endocrinopatias e idiopatias.

Ejaculação retardada - ocorre quando após qualquer penetração (vaginal, oral e anal), há uma dificuldade enorme de ejacular, prejudicando a vivência do prazer. É verificada quando o homem tem dificuldade em se envolver e entregar-se afetivamente na relação a dois; uso de medicamentos (antidepressivos, ansiolíticos, barbitúricos), drogas (álcool, maconha e cocaína), conflitos homossexuais.

Ejaculação precoce - É uma ejaculação persistente ou recorrente, com estimulação sexual mínima, antes, durante ou logo após a penetração, antes que o indivíduo o deseje. O mais comum é ser um distúrbio psicológico. Pode ser primária, desde os primeiros relacionamentos sexuais ou secundária quando aparece após um período de atividade satisfatória. Ocorre de modo generalizado, em todas as situações, ou situacional, apenas em algumas situações.

I Consenso
Latino-americano
2002

DISTÚRBIOS DA EJACULAÇÃO 

Ejaculação é um conjunto de fenômenos neuromusculares que permite a progressão do sêmen durante o ciclo de resposta sexual e sua expulsão pelo meato uretral na fase final do ciclo. Apresenta duas fases: emissão e expulsão (ejaculação propriamente dita), que na maioria das vezes coincide com o orgasmo. 

Os distúrbios mais freqüentemente encontrados são:

Anaejaculação- a sensação orgástica está presente, porém não há expulsão do sêmen (porque não é produzido ou os canais condutores estão obstruídos).

Ejaculação retrógrada (ou retroejaculação) - se deve a alterações funcionais do trato urinário inferior (cirurgias da próstata e colo vesical, trauma uretral associado à fratura pélvica, disfunção do colo vesical por ação de bloqueadores alfa-adrenérgicos, neuroléticos ou antidepressivos; neuropatia diabética ou outras endocrinopatias; neuropatias secundárias à simpatectomia lombar bilateral, disecção do reto, cirurgia da aorta abdominal, linfadenectomia retroperineal; e idiopatias.

Ejaculação retardada - não é comum, consiste na dificuldade significativa de ejacular, o que prejudica o prazer sexual. As causas mais comuns são: estresse, cirurgias penianas, conflitos (homossexualidade, dificuldades de intimidade), medicamentos (antidepressivos, ansiolíticos, neuroléticos), álcool, drogas (maconha e cocaína).

Ejaculação precoce - É aquela que se apresenta após uma estimulação sexual mínima, antes, durante ou imediatamente depois da penetração. As conseqüências deste transtorno são o sofrimento pessoal e/ou as dificuldades de relação interpessoal. Pode ser primária, desde o início da vida sexual ou secundária (ou adquirida) quando surge após um período de funcionamento satisfatório. Ocorre de modo generalizado, em todas as situações, ou situacional, apenas em algumas situações. 

II Consenso
Internacional
2003

DESORDENS DA EJACULAÇÃO 

O orgasmo e a ejaculação constituem a fase final do ciclo de resposta sexual. 

A ejaculação é um reflexo que compreende áreas e receptores sensoriais, vias aferentes, áreas sensoriais cerebrais, centros motores cerebrais, vias eferentes e centros motores espinais. 

O reflexo ejaculatório é controlado, predominantemente, pela interação complexa entre os neurônios serotoninérgicos e dopaminérgicos centrais com o envolvimento secundário dos neurônios colinérgicos, adrenérgicos, oxitocinérgicos e GABAnérgicos.

São consideradas:

Rápida (precoce)- quando ocorre antes do desejado, tanto antes ou logo após a penetração sobre a qual o homem tem mínimo ou nenhum controle. É importante fazer uma boa anamnese porque em geral, os pacientes, confundem o distúrbio da ejaculação com DE, pois desconhecem que após a ejaculação é normal ter perda de ereção.

Inibida (ou retardada) - excessivo retardo em alcançar o clímax durante a atividade sexual.

Anaejaculação - ausência de ejaculação durante o orgasmo. 

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

DSM-IV
1995

302.76 - DISPAREUNIA (não devida a uma condição médica geral)

Dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual.

A perturbação provoca acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal

CID-10
1998

F52.6 - DISPAREUNIA NÃO ORGÂNICA

A dor ou desconforto é experimentada durante a resposta sexual.

O desconforto não é o resultado de fatores físicos locais.

I Consenso
Brasileiro
1998

DOR

É mencionada apenas no caso da doença de Peyronie.

I Consenso
Internacional
1999

DOR

A dor em um dos parceiros, durante a relação sexual, pode causar efeito inibitório na sexualidade (por exemplo: resultado de balanite (no homem) ou mudanças após a menopausa (na mulher).

II Consenso
Brasileiro
2002

DOR

Em doença de Peyronie.

I Consenso
Latino-americano
2002

DOR

Recomenda-se que durante a anamnese investigue-se presença de dor peniana durante a ereção, se há curvaturas no pênis, deformidades, nódulos e outras condições.

II Consenso
Internacional
2003

DOR

Persistente ou recorrente com tentativa ou penetração vaginal completa e/ou relação vaginal.

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

I Consenso
Brasileiro
1998

DOENÇA DE PEYRONIE

Placas fibróticas na túnica albugínea, comprometem a elasticidade do corpo cavernoso neste local, promovem dor e curvatura anormal do pênis quando em ereção com prejuízo da penetração nas relações sexuais.

I Consenso
Internacional
1999

DOENÇA DE PEYRONIE

Formação de nódulos fibrosos na túnica albugínea, estas placas impedem a expansão da túnica durante a ereção, resultando na curvatura do pênis. Em alguns casos, essas placas podem induzir à aparência de anel ou ampulheta no pênis ereto. 

II Consenso
Brasileiro
2002

DOENÇA DE PEYRONIE

Presença de placas fibrosas na túnica albugínea dos corpos cavernosos. As placas têm tamanhos e localizações diversas, desde mínimas e, portanto, de difícil percepção, até grandes e múltiplas que comprometem quase toda a túnica albugínea.

I Consenso
Latino-americano
2002

DOENÇA DE PEYRONIE

É uma alteração do tecido conjuntivo que provoca a formação de nódulos ou placas na túnica albugínea do pênis. As principais queixas são: curvatura, dor, deformidades de estreitamento, do tipo "ampulheta", "formação de cintura" e "forma de pescoço de cisne", encurtamento peniano e disfunção erétil

II Consenso
Internacional
2003

DOENÇA DE PEYRONIE

É uma desordem adquirida da túnica albugínea. Caracteriza-se pela formação de uma placa de tecido fibroso que pode estar associada com disfunção erétil e dor à ereção. Pode haver dificuldade de penetração por causa da curvatura e pode acompanhar-se de prejuízo da capacidade erétil. 

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

I Consenso
Brasileiro
1998

PRIAPISMO

Não aborda.

I Consenso
Internacional
1999

PRIAPISMO

É uma ereção dolorosa prolongada, involuntária e não fisiológica, que não é resultante do desejo sexual. O corpo esponjoso e a glande não são afetados. Não é aliviada pela ejaculação e, ironicamente, pode resultar em impotência.

Pode ser definido como uma ereção patológica provocada por anomalias hemodinâmicas.

É classificado como:

Venoso, de baixo fluxo ou isquêmico- resulta de falha do mecanismo de detumescência cavernosa levando a uma obstrução do fluxo venoso.

Arterial, de alto fluxo e não isquêmico - ocorre após uma deformidade traumática (ou induzida cirurgicamente) na integridade da artéria cavernosa, com entrada de fluxo arterial irregular.

Priapismo recorrente ou intermitente- é definido como episódios múltiplos, breves (menos que 3 horas) que ocorrem diversas vezes durante a semana, por 4 semanas ou mais. É uma condição rara, geralmente ocorre em pacientes com anemia falciforme. Este fenômeno praticamente não tem recebido atenção na literatura, desconhece-se sua prevalência.

 

II Consenso
Brasileiro
2002

PRIAPISMO

Ereção peniana prolongada e persistente, freqüentemente dolorosa, desencadeada ou não por estímulo sexual. Classificado em:

Baixo fluxo (isquêmico) - é o mais freqüente, está associado a diminuição do retorno venoso, com estase vascular, determinando hipoxia tecidual e acidose. É doloroso. Quando o sangue dos corpos cavernosos é aspirado tem coloração escura.

Alto fluxo (não isquêmico)- menos comum, há aumento do fluxo arterial, na presença de retorno venoso normal, com elevação da pressão parcial de oxigênio. É indolor. Quando o sangue dos corpos cavernosos é aspirado tem coloração vermelho-viva.

 

I Consenso
Latino-americano
2002

PRIAPISMO

Ereção prolongada do pênis, geralmente dolorosa, desencadeada ou não por estímulo sexual. A duração da ereção deve ser superior a 4 horas e não cessa nem diminui com a ejaculação. Pode apresentar-se em todas as idades, desde recém-nascidos até adultos idosos.

Existem dois tipos:

Baixo fluxo (isquêmico, veno-oclusivo) - é o tipo mais freqüente e causado for diversos fatores. Caracteriza-se por uma diminuição do retorno venoso devido a uma obstrução intra ou extra luminal das veias e aumento da pressão intracavernosa que provoca uma redução do fluxo arterial com subseqüente hipóxia dos tecidos e acidose. É doloroso por causa da isquemia tecidual. O Sangue aspirado dos corpos cavernosos tem uma coloração escura com pH ácido e baixa pressão parcial de O2(p O2).

Alto fluxo (não isquêmico, arterial)- é menos comum, caracteriza-se pelo aumento do fluxo arterial aos corpos cavernosos, com presença de fluxo venoso e pressão parcial de O2 normais. Geralmente é indolor e o sangue, no momento da coleta, apresenta coloração vermelha-viva. 

II Consenso
Internacional
2003

PRIAPISMO

É uma ereção persistente indesejada que não está associada com desejo sexual ou estimulação sexual. é incomum em homens e raro em mulheres.

Baixo fluxo, isquêmico ou anóxico- é mais comum e se não tratado resulta em necrose do músculo cavernoso e subseqüente fibrose e impotência. É um exemplo da síndrome de compartimento e requer tratamento urgente.

Alto fluxo, bem oxigenado- classicamente ocorre após procedimentos para revascularização peniana, porém tem sido reconhecido como ocorrendo após lesões penianas e perineais quando a artéria cavernosa é danificada. Também pode ser idiopática e esta forma pode estar relacionada com a forma recorrente ou intermitente. Pode ser congênito, traumático, neoplásico, iatrogênico e idiopático.

Recorrente ou intermitente- comumente ocorre em homens com doença de células falciformes, mas não confinada a ela. Tal priapismo geralmente é de fluxo alto e pode tornar-se de fluxo baixo e anóxica. Esta condição é incomum, pouco entendida. A ereção prolongada geralmente ocorre durante o sono e a detumescência não ocorre imediatamente após o despertar. No início não há dor, mas ela aparece após aproximadamente uma hora. É mais um incômodo do que um perigo. Entretanto, pode ocorrer um episódio isquêmico de total enchimento que requerirá intervenção urgente.

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

I Consenso
Brasileiro
1998

RESPOSTA SEXUAL

Desejo sexual, excitação e orgasmo.

I Consenso
Internacional
1999

RESPOSTA SEXUAL

Desejo sexual, excitação, plateau, orgasmo e resolução.

 

II Consenso
Brasileiro
2002

RESPOSTA SEXUAL

Desejo sexual, excitação, orgasmo e resolução.

I Consenso
Latino-americano
2002

RESPOSTA SEXUAL

Desejo sexual, ejaculação e orgasmo.

II Consenso
Internacional
2003

RESPOSTA SEXUAL

São quatro estágios interativos e não lineares: desejo, excitação, orgasmo e resolução.

A conceituação dos quatro estágios fornece uma melhor compreensão das disfunções ejaculatórias como secundárias a algum problema que pode ocorrer em qualquer estágio do processo ejaculatório, o que permite a escolha do tratamento mais apropriado e específico.

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 

Consenso NIH
1992

ENVELHECIMENTO MASCULINO 

Geralmente, a DE tem sido associada como um fator natural concomitante ao processo do envelhecimento.

É apresentado que a DE pode se desenvolver como conseqüência de doenças específicas ou de tratamento medicamentoso. Como exemplo, é citado o caso de pacientes jovens e adultos jovens que podem apresentar DE como conseqüência dos diabetes ou remédios para hipertensão.

Considera-se que embora a DE aumente progressivamente junto com a idade, não significa que seja uma conseqüência inevitável do envelhecimento.

I Consenso
Brasileiro
1998

AVALIAÇÃO E REPOSIÇÃO HORMONAL

A testosterona é necessária para manter as características sexuais masculinas e a libido. Também está comprovado experimentalmente que sua privação diminui a capacidade erétil por mecanismos ainda discutíveis. No entanto, quantidades mínimas de testosterona seriam suficientes para a manutenção da função erétil, o que explica a preservação de atividade sexual em até 20% dos homens castrados.

Esse processo recebe a denominação de andropausa, à semelhança da menopausa, que ocorre nas mulheres.

No entanto, a grande maioria dos homens com disfunção erétil relacionada com o envelhecimento não apresenta deficiência androgênica e o nível de testosterona parece ser apenas uma das variáveis que se deve levar em conta quando se analisa o declínio da atividade sexual com o avançar da idade.

A opção terapêutica mais recomendada é a administração de testosterona por via muscular. Embora melhore a libido, o humor, o bem-estar geral e o desempenho sexual, não garante a melhora da função erétil no homem idoso.

I Consenso
Internacional
1999

FATORES HORMONAIS OU ENDÓCRINOS

Os andrógenos influenciam o crescimento e o desenvolvimento do trato reprodutivo masculino assim como suas características sexuais secundárias. Seu efeito na libido e no comportamento sexual está bem estabelecido, porém o efeito dos andrógenos no mecanismo erétil ainda não está claro.

A controvérsia, na maioria das vezes, se deve à falta de estudos sobre os hormônios na população saudável de homens idosos.

O fato de a testosterona não estar significativamente correlacionada com impotência, pode ser explicada pelo fato de que qualquer declínio da testosterona com a idade pode ser devida, em grande parte, a doenças do que a um fenômeno fisiológico natural.

Acredita-se que deva existir uma relação entre a diminuição da testosterona e atividade e/ou desejo sexual, porém a relação com este declínio e disfunção erétil não é universalmente sustentada.

Na maioria dos casos de hipogonadismo tanto a libido quanto à função sexual são afetadas.

II Consenso
Brasileiro
2002

DISTÚRBIOS ANDROGÊNICOS DO ENVELHECIMENTO MASCULINO

Após os 50 anos e com a progressão da idade surgem diferenças marcantes, em relação à sexualidade e fertilidade do homem.

Nele, as alterações fisiológicas não são tão definidas quanto na mulher. E anualmente há uma diminuição nos níveis da testosterona total, o que, entre outras manifestações, caracteriza-se pela diminuição do desejo sexual e da qualidade das ereções.

Essas alterações são chamadas de andropausa, climatério masculino, deficiência androgênica do homem idoso (ADAM - Androgen Deficiency of Aging Male) e deficiência parcial androgênica do homem idoso (PADAM - Partial Androgen Deficiency of Aging Male).

Pode haver também hipogonadismo secundário ao envelhecimento.

A reposição androgênica deve seguir certos parâmetros, de maneira a respeitar as necessidades biológicas do paciente e procurar reproduzir o funcionamento do organismo masculino.

Vale dizer que as vias de administração disponíveis apresentam vantagens e inconvenientes.

I Consenso
Latino-americano
2002

DEFICIÊNCIA ANDROGÊNICA NO ENVELHECIMENTO MASCULINO

Como a expectativa de vida dos homens, atualmente, é progressiva e significativamente maior do que em décadas passadas e como conseqüência há um aumento de enfermidades e alterações fisiológicas próprias das populações adultas idosas.

São mantidas as mesmas denominações do II Consenso Brasileiro e acrescida a Deficiência Androgênica no Envelhecimento Masculino (DAEM).

Estudos têm demonstrado a importância do sistema endócrino no processo do envelhecimento.

Essas alterações nos homens são diferentes do que nas mulheres, são menos evidentes, de evolução lenta e em geral, ocorrem mais tarde. O declínio hormonal é progressivo e apresenta como manifestação o hipogonadismo.

As alterações hormonais são variáveis, tanto podem apresentar sintomas evidentes quanto passar despercebida. Clinicamente pode ser difícil de ser caracterizadas por causa de estresse, má nutrição, depressão, enfermidades não endócrinas, drogas e o uso de medicamentos, além de ansiedade do desempenho sexual, desinteresse ou inexistência de parceria.

Os sintomas variam de intensidade e não aparecem concomitantemente e podem formar parte do envelhecimento: diminuição da libido e qualidade das ereções; alterações do humor com diminuição da atividade intelectual e da orientação espacial; tendência a condutas depressivas, diminuição da massa e força musculares; fatiga, sensação de cansaço e inapetência; osteoporose, alterações na distribuição da gordura corpórea, com acúmulo preferencialmente no subcutâneo do abdômen e alterações do sono.

Recomenda-se que para níveis séricos baixos de testosterona a reposição tem como objetivo melhorar a libido, o desempenho sexual, o humor e o bem-estar geral; a escolha do medicamento, dose e via de administração devem ser ajustadas para cada paciente; e deve-se fazer o seguimento a longo prazo.

II Consenso
Internacional
2003

ASPECTOS ENDOCRINOLÓGICOS DA DISFUNÇÃO SEXUAL MASCULINA 

No homem, a função gonadal é afetada de um modo progressivo e lento, como parte do processo normal de envelhecimento. Embora a alteração da produção de androgênio no homem idoso tem sido cientificamente reconhecida, somente recentemente, a importância dessa condição recebeu interesse.

Essa condição é conhecida como climatério masculino, andropausa ou, mais apropriadamente, declínio de androgênio no homem idoso (ADAM) ou hipogonadismo tardio.

O termo andropausa é biologicamente errado e clinicamente inapropriado, mas exprime adequadamente o conceito das mudanças físicas e emocionais, que embora estejam relacionadas com o envelhecimento em geral, também estão associadas com as alterações hormonais significantes.

A inadequação do termo está baseada no processo da mulher que têm o ciclo reprodutivo interrompido por causa da falta de produção ovariana. Enquanto que no homem as manifestações clínicas são sutis.

Este consenso recomenda a seguinte definição:

O estabelecimento do hipogonadismo adulto é uma síndrome clínica e bioquímica, freqüentemente associada com o avanço da idade e é caracterizada por uma deficiência nos níveis androgênicos séricos, com ou sem mudanças na sensitividade receptora aos andrógenos. Pode afetar a função dos vários sistemas orgânicos e resultar em prejuízo da qualidade de vida, incluindo alterações importantes na função sexual.

Além do fator hormonal, existem inúmeros outros relacionados ao envelhecimento que também devem ser investigados, pois afetam não só a vida sexual, como a saúde em geral.

  Atualizações de informações que merecem atenção e estudo

 


Cila Ankier - é psicóloga e membro da ISSM - International Society of Sexual Medicine.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Consenso Internacional II. Lue TF, Basson R, Rosen R, Giuliano F, Khoury S, Montorsi F, editors. Sexual medicine: Sexual Dysfunctions in men and women. 2 nd International Consultation on Sexual Dysfunctions, Paris . Paris : Health Publications, 2004; 990p.

Consenso Latino-americano I. Torres LO, Ugarte-Romano F, Glina S. (coords.) I Consenso Latino-americano de Disfunción Eréctil . Sociedad Latinoamericana de para el Estudio de la Impotencia y Sexualidad. São Paulo: BG Cultural; 2002. 98p.

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Faria, GE. Novos caminhos e coquetel de drogas para tratar a disfunção erétil. Arq H Ellis . 2005;1(3).

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