SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

 
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Edição 03 - Janeiro / Março - 2005


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Volume I - Número 3 - Janeiro / Abril - 2005

Especialistas da Colômbia realizaram estudo inédito e controverso:
a relação do tamanho do pênis com outros membros do homem, como pés e mãos.
O estudo também inaugurou uma nova expressão – “falometria”, ou a medida do falo. Participaram 130 homens brancos, entre 22 e 84 anos de idade. Saiba aqui seu principais resultados.

Falometria e estudo antropológico do pênis

Alonso Acuña Cañas*
Juan Carlos Villalba

Participaram do estudo 130 homens caucasianos, que procuraram atendimento por disfunção erétil e que responderam com ereção adequada à injeção intracavernosa; foi seguida uma metodologia para medir o pênis em flacidez, alongamento e ereção. Os resultados foram comparados entre si, assim como com outros parâmetros propostos: estatura, medidas da mão e do pé. Ao classificar, segundo Wessells, os pênis em flacidez em dois grupos, “pequenos” e “grandes”, conclui-se que o aumento médio da flacidez à ereção é similar tanto para o grupo dos “pequenos” (menores de 9,5cm) como para os “grandes” (maiores de 10cm). Este aumento médio foi de 3,57 e 3,41cm respectivamente. A média global em ereção foi de 14cm. A correlação do pênis em flacidez com a estatura, o tamanho da mão e do pé, foi de 0.23, 0.29 e 0.29 respectivamente; e em ereção de 0.33, 0.31 e 0.34 respectivamente, isto é, que somente um terço ou menos dos casos, a estatura, o tamanho da mão e do pé, se correlacionaram com o comprimento do pênis tanto em flacidez como em ereção, o que se considera relativamente baixo e, portanto, pouco preditivo. É apresentado um novo termo: falometria

Motivação e Objetivos
As pesquisas que se referem ao tamanho do pênis não incluíram estudos antropológicos tanto em flacidez, estiramento e ereção, com a estatura e o tamanho das mãos e dos pés). Medidas estas que geram uma série de crenças populares que não possuem nenhum suporte científico. Por estas razões, o presente estudo trata de abranger aspectos que sejam de interesse para a morfologia, a medicina - especialmente a urologia - assim como para a sexologia e a antropologia.

Pacientes e Métodos
O estudo foi realizado em 130 indivíduos consecutivos que vieram à consulta com queixa de algum tipo de disfunção erétil (DE) há um ano e que preencheram os seguintes critérios de inclusão:

1. Características raciais: brancos (não europeus, não indígenas, não negros).

2. Foram incluídos aqueles que responderam à injeção intracavernosa fármaco-induzida (iiF) com PEG-E1, Papaverina-Fentolamina ou Trimix, em doses suficientes para conseguir uma ereção rígida suficiente por um tempo mínimo de 20 minutos. Foram tomadas quatro medidas, sempre de pé e em linha reta, deste modo:

a. Flacidez I, da ponta da glande até a base visível do pênis.
b. Flacidez II, da ponta da glande ao púbis.
c. Alongamento, ou estiramento, ao esticar o pênis ao máximo de seu comprimento ao mesmo tempo medir a distância entre a ponta da glande e o púbis.
d. Ereção, da ponta da glande ao púbis com ereção satisfatória. Em todos os pacientes, as quatro medidas sempre foram tomadas pelo primeiro autor, em condição ambiental ideal.

3. As duas medições, Flacidez I e II, foram cogitadas diante da necessidade possível de estabelecer a relação entre elas e determinar a existência ou não de diferenças significativas, com a finalidade de recomendar finalmente qual das duas é a mais fidedigna, dado que a “almofada” pré-púbica de gordura e, especialmente na posição de pé, faz com que o pênis pareça mais curto do que quando se está na posição de decúbito.

O tamanho da mão foi medido em hiper extensão, tomando-se a distância entre a ponta do polegar e a do dedo mínimo. A do pé, entre o calcanhar e a ponta do dedão, em linha reta pela planta. A estatura, em centímetros, foi medida em todos os pacientes.

TABELA1 - DADOS ANTROPOLÓGICOS

 

ESPECIFICAÇÃO

MÉDIA

DESVIO PADRÃO (±)

Idade

Anos

56.30

12.3

Estatura

Metros

1.70

0.7

Flacidez I

Centímetros

8.95

1.5

Flacidez II

Centímetros

10.49

1.3

Estiramento

Centímetros

13.68

1.6

Ereção

Centímetros

13.90

1.7

Análise Estatística
As variáveis foram descritas como médias e desvio padrão, utilizou-se a correlação de Pearson para variáveis contínuas utilizando um pacote estatístico SPSS para Windows.

Resultados
A faixa de idade foi de 22 a 84 anos, média de 56,3 (mais ou menos 12,3). O intervalo da medida da estatura variou entre 1,58m e 1,92m, com média de 1,70m (mais ou menos 0,7m). A Flacidez I em uma faixa entre 6,0cm e 13,0cm, com média de 8,95cm (mais ou menos 1,5cm). A Flacidez II oscilou entre 7,0cm e 13,5cm com média de 10,49cm (mais ou menos 1,3 cm). Na Flacidez II, encontraram-se 36 indivíduos com uma medida menor que 9,5cm (27,7%) e 94 com medida maior que 10,0cm (72,3%). Com a manobra de estiramento a faixa encontrou-se entre 8,5cm e 19,0cm com média de 13,6cm (mais ou menos 1,6cm). A ereção em uma faixa entre 10,0cm e 21,0cm, com média de 13,9cm (mais ou menos 1,7cm) (Tabela 1). Para as correlações empregou-se o método de Pearson. A correlação da Flacidez I com a Flacidez II foi alta (0,86), e também, embora em menor grau, com a ereção (0,71). Por outro lado, foi baixa com a estatura (0,23), com o tamanho da mão (0,29) e com o do pé (0,29). A correlação da Ereção com Flacidez I se realizou em apenas um pouco mais da metade (0,64). Com a Flacidez II foi mais significativa (0,71) e ainda mais alta com o estiramento (0,84). Em troca foi baixa, apenas em um terço dos casos, com a estatura (0,33), o mesmo que com o tamanho da mão (0,31) e com o do pé (0,34) (Tabela 2).

 

TABELA 2 - CORRELAÇÃO DE FLACIDEZ II

 

Correlação de Pearson

Flacidez I

0.86

Ereção

0.71

Estatura

0.23

Mão

0.29

0.29

Quando se classificam os pênis em Flacidez II em dois grupos (seguindo a idéia empregada por Wessells) nos de 9,5cm ou menos (“pequenos”) e nos de 10,0cm ou mais (“grandes”), na maioria dos casos (72,3%) sobrepassaram esta última medida, e somente uma quinta parte (27,7%) foi menor de 9,5cm. Em cada um destes grupos foram tomados dois dados: sua correlação com a ereção e a relação com o aumento médio na ereção. No caso da correlação (Flacidez II a Ereção) na dos menores de 9,5cm foi de 0,52 e na dos maiores de 10,0cm foi de 0,57. Isto é, foi encontrada uma metade de possibilidade de que correlacione, ou não correlacione. Quanto ao aumento médio em centímetros em cada um destes grupos, no dos menores de 9,5cm foi de 3,57cm e no dos maiores de 10,0cm foi de 3,41cm. Isto é, que o aumento médio resultou similar em cada um dos grupos. Ao continuar a mesma metodologia da divisão em dois grupos a Flacidez II (menores de 9,5cm, maiores de 10,0cm), se se tomar o comprimento final, a média em ereção, foi de 12,43cm para o grupo de 9,5cm ou menos e de 14,53cm para o de 10,0cm ou mais (Tabela 3).

 

TABELA 3 - AUMENTO E COMPRIMENTO MÉDIO DE FLACIDEZ II - POR GRUPOS - À EREÇÃO
Flacidez II - Grupo

Aumento

Comprimento à Ereção

< 9.5 cm.

3.57 cm

12.43 cm

> 10.0 cm.

3.41 cm

14.53 cm

Discussão
Um dos estudos mais antigos deste tipo foi realizado na Alemanha (Loeb 1899) em 50 indivíduos, no qual só é mencionado o comprimento em flacidez com uma média de 9,5cm.

Em um estudo cujo objetivo foi estabelecer as medidas que permitissem o diagnóstico de micropênis (Schoemfeld e Beebe 1942) ao fazer a medição empregando a técnica de “alongamento” ou “estiramento”, se obteve uma média de comprimento de 13,02cm em 54 indivíduos nos quais se praticou a manobra em três ocasiões em cada um. Não houve dados em flacidez nem em ereção. Um dos primeiros estudos, com esta medida, foi realizado com 2770 homens por Kinsey (1948); posteriormente foi analisado por Jamison e Gebhard (1988); se preconiza uma média de 9,7cm em flacidez e 15,5cm em ereção; o estudo é fraco devido aos viéses; um método livre no qual cada entrevistado registrou seus próprios dados.

Segundo um estudo realizado no Hospital John Hopkins (Lee et al. 1980) o comprimento médio ao empregar a técnica de alongamento varia entre os 12 e 14cm para o adulto. Em uma referência mais recente (Bondil 1992) de 905 indivíduos, a média é de 10,7cm em flacidez e 16,7cm com o “estiramento”, sem mencionar a medida em ereção. O valor deste estudo está em estabelecer a relação flacidez-alongamento. Em um estudo com 150 homens (da Ros 1994) informa uma média em ereção de 14,5cm em indivíduos potentes e satisfeitos com o tamanho de seu pênis. Estudo que realizou após injeção intracavernosa com mistura de Papaverina 50mg e PGE1 10 mg com a medida feita somente em ereção.

O objetivo de dois estudos (Wessells 1996, Wessells e McAninch 1997) foi o de obter médias em três medições: flacidez (8,8cm), alongamento (12,4cm) e ereção (12,8cm); estes autores reportam que as faloplastias não têm resposta a longo prazo quanto ao aspecto funcional, ainda que pudessem justificar-se em quem tenha menos de 4cm em flacidez ou menos de 7,5cm com o alongamento ou em ereção. Para a medição em ereção empregaram E1 e em alguns casos Trimix, em indivíduos com disfunção erétil. Apresentam a hipótese de que suas médias baixas se devem a que a série incluiu somente indivíduos com DE e de idade mais velha, ambas circunstâncias que eles qualificam como causa da diminuição da elasticidade do tecido e, portanto, do tamanho global. Por esta razão, dividiram os 80 pacientes em menores de 40 e maiores de 40 anos (não esclarecem quantos em cada grupo) e assinalam uma diferença de 9,6cm e 8,6cm para flacidez e 13,3cm e 12,2cm para o alongamento, respectivamente. O aumento em comprimento resultou maior nos menores de 40 anos (4,6cm) porque para os maiores de 40 foi de 3,9cm, relatam que quando o pênis está flácido, se considera “curto” ou “pequeno” (menor de 9,5cm) ou “comprido” ou “grande” (maior de 10,0cm) não há uma diferença estatística significativa no aumento do comprimento entre os dois grupos (média de 3,9 vs. 4,0cm) à ereção. Pois se havia afirmado sempre que os pênis “pequenos” tinham menos possibilidade de aumentar à ereção. O comprimento em ereção teve uma média de 14,2cm para os menores de 40 anos e de 12,5cm para os maiores de 40 anos.

Em um estudo com 29 homens (Moncada 1997) com a finalidade de estabelecer a relação entre a geometria do pênis (comprimento-diâmetro) em flacidez, como uma medida preditiva da quantidade de pressão intracavernosa necessária. ou requerida, para obter uma rigidez erétil adequada, o dado falométrico para a flacidez foi de 12,3cm (mais ou menos 2,1). Três décadas atrás se havia afirmado (Masters e Johnson 1966) que não existe uma relação diretamente proporcional entre as medidas do pênis em flacidez e em ereção, o que seria mais evidente se comparam brancos com negros, já que os primeiros têm tecidos mais elásticos do que os segundos. Não há estudos amplos e evidentes que confirmem isto.

Chama a atenção que, dos estudos citados, somente os dois de Wessells proporcionam dados suficientes (número, idade média, flacidez, alongamento e ereção). Os demais são parciais e nas séries de maior número foram os pacientes quem deram a informação, técnica que não os faz confiáveis. Na série de da Ros (1994) se trata de indivíduos potentes satisfeitos com seus genitais e o dado médio de ereção é de 14,5cm, quando em nossa série o dado médio é de 14,0cm em indivíduos com DE e de maior faixa de idade.

A nossa série - se descontarmos uns poucos milímetros - coincide com a de Wessells tanto na média dos dados de flacidez, quanto nos de alongamento e ereção.

Podemos considerar que nossa série seja suficiente em número e qualidade de dados em comparação com as que têm sido estritas em desenvolver os parâmetros próprios, como são as de Schoenfeld em 54 casos, a de da Ros em 150 casos e a de Wessells em 80 casos.

Comentários a respeito de nossos resultados: os dados obtidos em Flacidez I estão um pouco abaixo das proporcionadas por outros autores. Porém, se tomarmos o dado de Flacidez II então resultam similares, ou talvez, levemente superiores. A diferença de medidas entre Flacidez I e II a do “colchão” de gordura prepúbica, que aumenta com a idade ou a gordura. Esta diferença denominada por Wessells “a diferença funcional” é real e desaparece - total ou parcialmente - com o indivíduo deitado ou ereto. Por isto, e a alta correlação obtida em nosso estudo (0.86), é que recomendamos a técnica de medição que denominamos Flacidez II como real e aplicável na prática diária e na de estudos de investigação, e para tê-la em conta quando se indicam faloplastias.

· Se tomarmos o dado do alongamento, nossos resultados concordam com os dos demais autores, salvo com o de Bondil que por sua vez parece exagerado em relação aos demais.

· Se tomarmos o dado em ereção (exceto o de Kinsey cujo viés evidentemente o desqualifica) o nosso é similar ao dos outros de autores.

Quando o dado de Flacidez II se divide nos dois grupos propostos por Wessells em menores de 9,5cm (“pequenos”) e maiores de 10,0cm (“grandes”), o resultado do aumento é similar (3,5cm). E quanto ao comprimento final, a média vem a ser de 2cm maior para os “grandes”, em relação aos “pequenos”. O que é lógico, se nos basearmos no fato de que o aumento é similar em ambos os grupos. As médias de aumento entre flacidez e ereção. Em cada um destes grupos, para Wessells resultaram um tanto maiores: 3,9cm e 4,0cm respectivamente para os “pequenos” e os “grandes”, quando em nosso foi de 3,57 e 3,41cm respectivamente. A diferença vem a ser menor do que 0,5cm, o que na prática não representa uma cifra significativa. No entanto, o fato de interesse aqui é que tanto os pênis “pequenos” quanto os “grandes”, ao final possuem um aumento médio similar para chegar à ereção.

Não foram encontrados estudos relacionados com parâmetros antropológicos como os propostos por nós. O resultado aqui é claro: o pênis, tanto em flacidez como em ereção, tem uma baixa correlação com a estatura, assim como com o tamanho da mão e do pé (correlação que se encontra apenas entre uma quarta e terça parte dos casos). Neste sentido as crenças populares são encontradas, embora mais freqüentes as que se relacionam de maneira proporcional, e que evidentemente, segundo os resultados de nosso estudo, não têm apoio científico.

Conclusões
1. Para efeitos práticos, recomenda-se a medida do pênis em flacidez com a técnica por nós denominada de Flacidez II.

2. A divisão em dois grupos: menores de 9,5cm e maiores de 10,0cm, seguindo a idéia de Wessells para medição em flacidez, permite deduzir que o aumento médio desta à ereção, é similar em ambos grupos (3,5cm) e também similar a encontrada pelos autores que se ocuparam deste aspecto.

3. A técnica de alongamento permite uma idéia bastante aproximada (em correlação de 0.84) do que será a ereção.

4. A ereção média (14cm) no grupo estudado coincide de perto com a de autores que seguiram uma metodologia que consideramos adequada.

5. A afirmação de Masters e Johnson no sentido de que não existe uma relação diretamente proporcional do tamanho do pênis em flacidez com o que será em ereção, é uma verdade relativa e talvez se o grupo considerado não for etnicamente similar. Pois segundo os resultados do presente estudo o aumento até chegar à ereção é igual tanto nos pênis “pequenos” quanto nos “grandes”. O fato de que o aumento é similar em ambos grupos, a diferença final no comprimento de todo modo é maior para os pênis “grandes”. O que resulta certo em um grupo étnico similar como de nosso estudo. Faltaria comprovar o que possa acontecer na comparação desta taxa de aumentos em etnias diferentes, assunto não investigado em nossa série.

6. A relação do pênis em flacidez com a estatura, o tamanho das mãos e dos pés é bastante baixa, de 0.23, 0.29 e 0.29 respectivamente; e em ereção também é, de 0.33, 0.31 e 034 respectivamente; isto é, que correlacionariam em menos da terça parte, tanto em flacidez como em ereção e, portanto, não vem a ser claramente significativa.


Alonso Acuña Cañas *
Membro Emérito da Sociedade Colombiana de Urologia. Profesor Titular em Sexología da Faculdade de Medicina da Fundação Universitária FUCS e Universidade de Rosario, Bogotá DC, Colômbia.


 

Juan Carlos Villalba **
Médico anestesiologista e epidemiologista, Clínica A. Shaio, Bogotá, Colômbia.
Apresentado no Congresso da Confederação Americana de Urologia, Buenos Aires 2000.


BIBLIOGRAFIA

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