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Volume I - Número 2 - Outubro/Dezembro - 2004
Definições e Classificações das disfunções e das
respostas sexuais das mulheres, ao longo dos tempos
Cila Ankier
Quando Kinsey, em 1948, publicou os resultados de sua pesquisa realizada com 12000 pessoas no livro sobre o comportamento sexual masculino e, em 1953, sobre o feminino, para a época, quando imperava a educação rígida vitoriana (Ankier 2004), foi um escândalo. Porém, um marco para o estudo da sexualidade humana (Kinsey et al. 1948 e 1953).
Essas publicações não só causaram uma mudança no comportamento sexual humano, como também incrementaram as pesquisas.
Outros autores-referência para este estudo são William Masters, Virginia Johnson e Robert Kolodny, que apresentam de modo detalhado e didático os vários aspectos da sexualidade humana, entre eles, as definições e classificações das disfunções sexuais e o ciclo de resposta sexual (Masters et al. 1988), os quais serviram de base para outros pesquisadores, entre eles Helen Kaplan (1979), também autora-referência até os dias de hoje.
As classificações internacionais de doenças e os manuais diagnósticos de transtornos mentais foram elaborados para que houvesse uma linguagem comum entre os profissionais da saúde, principalmente médicos e psicólogos. Após passarem por várias transformações, ampliações e revisões, atualmente os que estão em vigor são: o DSM-IV (1995) e a CID-10 (1998).
Os consensos na área da sexualidade nasceram não só para uniformizar a terminologia, como também o pensamento e os procedimentos para se diagnosticar e tratar as disfunções sexuais. Inicialmente eram apenas as masculinas e paulatinamente as femininas foram reconhecidas e incorporadas.
Em um consenso inúmeros especialistas, renomados no mundo inteiro, dividem-se em comitês, realizam uma extensa revisão da literatura sobre os diversos aspectos da sexualidade, depois reúnem-se para apresentar os dados levantados e, baseados também em sua experiência profissional, chegam a um denominador comum, ou seja, um consenso com as recomendações que servirão de guia aos profissionais.
Apresentarei, de modo resumido, como as definições e classificações das disfunções e o ciclo de resposta sexuais se transformaram a partir do DSM-IV (1995) e da CID-10 (1998) até o último consenso realizado em 2003. Neste número abordarei o aspecto feminino e no próximo, o masculino.
Em 1998 foi realizado o I Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil, na cidade de São Roque, em São Paulo, no Brasil, em abril, quando foram abordadas apenas as disfunções masculinas (Consenso Brasileiro I 1998).
No mesmo ano, foi realizado o I Consenso Internacional de Disfunção Sexual Feminina, em Amsterdam, na Holanda, em agosto. As diretrizes básicas para as definições e classificações seguiram a estrutura já existente no DSM-IV (1995) e na CID-10 (1998). A lgumas definições foram alteradas para refletir a prática clínica e a pesquisa do momento e uma nova categoria foi incluída. O modelo do ciclo de resposta sexual feminina utilizado foi o descrito por Masters e Johnson (1966 e 1970) que depois foi elaborado por Kaplan (1979). Neste consenso, a disfunção sexual feminina (DSF) é considerada um problema multicausal e multidimensional combinando determinantes biológicos, psicológicos e interpessoais e está relacionada com a idade, de modo progressivo e altamente prevalente afetando de 20 a 50% das mulheres (Basson et al. 2000).
Embora o objetivo do Primeiro Consenso Internacional, realizado em Paris, na França, em julho de 1999, fosse estudar a Disfunção Erétil, houve a inclusão de um capítulo sobre a Disfunção Sexual Feminina devida à importância da mulher na sexualidade do homem e para estimular a pesquisa nessa área (muito aquém em relação à masculina). Ainda que o consenso ocorrido em Amsterdam, em 1998, tenha recomendado a adoção de um sistema novo de classificação e diagnóstico da disfunção sexual feminina levando em consideração critérios fisiológicos, psicológicos, fisiopatológicos e o sofrimento pessoal, ele ainda não é utilizado na clínica geral. Assim, este consenso manteve as definições e classificações do anterior. No entanto, apresenta algumas considerações a serem observadas e estudadas quanto às queixas das mulheres: investigar comorbidades, quando houver várias disfunções documentar a ordem de surgimento pois são importantes para identificar os fatores etiológicos (se a origem é fisiológica, psicológico ou mista), investigar se o parceiro sexual apresenta alguma disfunção. Os fatores de relacionamento também precisam ser pesquisados para esclarecer a etiologia e definir o tratamento adequado, por exemplo: abuso sexual ou físico, conflitos no relacionamento ou perda da ligação amorosa. A identificação exata da etiologia é difícil porque existem pouquíssimos dados que apresentam os fatores biológicos, fisiológicos, anatômicos e neurológicos específicos que desempenham um papel no funcionamento sexual da mulher e como eles podem interagir entre si e com o aspecto psicológico (Goldstein et al. 2000).
O II Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil, realizado em Campinas, São Paulo, em abril de 2002, e o I Consenso Latinoamericano de Disfunção Erétil, na Costa do Sauipe, na Bahia, em agosto de 2002, já incluíram um capítulo sobre as Disfunções Sexuais Femininas (Consenso Brasileiro II 2002, Consenso Latinoamericano I 2002).
O Segundo Consenso Internacional que abordou a Disfunção Erétil e as Disfunções Sexuais foi realizado em Paris, na França, em julho de 2003. Neste Consenso, houve expansão do objetivo para cobrir e atualizar o conhecimento da função e disfunção sexual tanto dos homens quanto das mulheres, assim as classificações e definições das Disfunções Sexuais Femininas foram revisadas e ampliadas (Basson et al. 2004, Consenso Internacional II 2004).
Os itens em vermelho correspondem às atualizações e aspectos que merecem atenção e estudo.
DSM-IV
1995 |
302.71 – TRANSTORNO DO DESEJO SEXUAL HIPOATIVO
É uma deficiência ou ausência de fantasias sexuais e desejo de ter atividade sexual.
A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.
O baixo desejo sexual pode ser global, abranger todas as formas de expressão sexual ou situacional e limitado a um parceiro ou a uma atividade sexual específica. |
CID-10
1998 |
F52.0 - FALTA OU PERDA DO DESEJO SEXUAL
Há falta ou uma perda de desejo sexual manifestada pela diminuição de busca de estímulos sexuais, e pensar sobre sexo com sentimentos associados desejo ou apetite ou fantasias sexuais.
Há uma falta de interesse em iniciar atividade sexual tanto com um parceiro quanto masturbação solitária, resultando em uma freqüência de atividade claramente abaixo da esperada, levando-se em conta a idade e o contexto, ou em uma freqüência claramente reduzida de níveis prévios muito altos. |
I Consenso
Internacional DSF
1998 |
DESORDENS1 DO DESEJO SEXUAL
Hipoativo – deficiência (ou ausência) persistente ou recorrente de fantasias/pensamentos sexuais e/ou desejo por ou receptividade à atividade sexual, que causa angústia pessoal.
Aversão – fobia persistente ou recorrente para e evitação de contato sexual com o parceiro sexual, que causa angústia pessoal. |
I Consenso
Internacional DE
1999 |
DESEJO HIPOATIVO
Se o tratamento recomendado for o medicamentoso, para o diagnóstico, é necessário elaborar um sistema de subclassificação.
Atualmente existe apenas um subtipo: desequilíbrio hormonal.
Outros subtipos precisam ser identificados.
Quanto ao aspecto fisiológico pode-se levantar a hipótese de que a combinação de fatores adrenérgicos, dopaminérgicos e serotoninérgicos possam exercer alguma influência.
A depressão bioquímica e psicossocial tem suas conseqüências, mesmo se adequadamente tratadas e compensadas. |
II Consenso Brasileiro
2002 |
DESEJO SEXUAL
Deficiência persistente ou recorrente ou ausência de fantasias, pensamentos e/ou desejo sexual, de receptividade ou de atividades sexuais, causando desconforto à mulher. |
I Consenso Latinoamericano
2002 |
DIFICULDADES DE DESEJO
Desejo Hipoativo: deficiência ou ausência, persistente ou recorrente, de fantasias sexuais, e/ou desejo e/ou receptividade de atividade sexual que causa angústia pessoal.
Aversão sexual: aversão fóbica, persistente ou recorrente, que evita o contato sexual com um parceiro que causa angústia pessoal.
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II Consenso Internacional
2003 |
DESORDEM DO DESEJO/INTERESSE SEXUAL
Ausência ou diminuição das sensações de interesse ou desejo sexual, ausência de pensamentos ou fantasias sexuais e falta de desejo responsivo.
Motivações (aqui definidas como razões/incentivos) para tentar ter excitação sexual são escassas ou ausentes.
A falta de interesse é considerada além da diminuição normativa com o ciclo de vida e a duração dos relacionamentos. |
Atualizações de informações que merecem atenção e estudo |
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1 Cada uma dessas desordens são subdivididas em: A) ao longo da vida versus adquirido, B) generalizada versus situacional, C) origem etiológica (orgânica, psicogênica, mista, desconhecida). Para melhor avaliação e diagnóstico dessas subsdivisões é importante basear-se na história médica, exames de laboratório e exame físico.
DSM-IV
1995 |
302.79 – TRANSTORNO DE AVERSÃO SEXUAL
A aversão é esquiva ativa do contato sexual genital com um parceiro sexual.
A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.
O indivíduo relata ansiedade, medo ou repulsa ao se defrontar com uma oportunidade sexual com um parceiro. A aversão ao contato genital pode concentrar-se em um determinado aspecto da experiência sexual. Alguns indivíduos experimentam repulsa generalizada a quaisquer estímulos sexuais inclusive beijos e toques. A intensidade da reação do indivíduo quando exposto aos estímulos aversivos pode variar desde uma ansiedade moderada e falta de prazer até um extremo sofrimento psicológico. |
CID-10
1998
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F52.1 - AVERSÃO SEXUAL E FALTA DE PRAZER SEXUAL
A perspectiva de interação sexual com parceiro produz medo, aversão ou ansiedade suficientes para que a atividade sexual seja evitada ou se ocorre, ela é associada a fortes sentimentos negativos e a uma incapacidade de experimentar qualquer prazer. |
I Consenso Internacional DSF 1998
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AVERSÃO SEXUAL
FOI CONSIDERADA E INCLUÍDA COMO DESORDEM DE DESEJO. |
I Consenso
Internacional DE 1999
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AVERSÃO SEXUAL
FOI CONSIDERADA DESVINCULADA DA FALTA DE DESEJO E MANTIDA A DEFINIÇÃO DO I CONSENSO INTERNACIONAL DE DSF DE 1998. |
II Consenso Brasileiro
2002
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AVERSÃO SEXUAL
Persistência ou recorrência de aversão fóbica e evitação de contato sexual com parceiros, causando desconforto pessoal. |
I Consenso Latinoamericano 2002
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AVERSÃO SEXUAL
FOI CONSIDERADA E INCLUÍDA COMO DESORDEM DE DESEJO. |
II Consenso Internacional
2003 |
DESORDEM DE AVERSÃO SEXUAL
Extrema ansiedade e/ou angústia à antecipação de/ou tentativa de ter qualquer atividade sexual. |
Atualizações de informações que merecem atenção e estudo |
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DSM-IV
1995
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302.72 – TRANSTORNO DA EXCITAÇÃO SEXUAL FEMININA
É uma incapacidade persistente ou recorrente de adquirir ou manter uma resposta de excitação sexual adequada de lubrificação-turgescência até a conclusão da atividade sexual. A resposta de excitação consiste de vasocongestão da pelve, lubrificação e expansão vaginal e turgescência da genitália externa.
A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. |
CID-10
1998 |
F52.2 - FALHA DE RESPOSTA GENITAL
Há uma falha de resposta genital experimentada com falha de lubrificação vaginal, juntamente com tumescência inadequada dos grandes lábios, a disfunção toma as seguintes formas:
• Geral – a lubrificação falha em todas as circunstâncias.
• A lubrificação pode ocorrer inicialmente, mas falha em persistir por tempo suficiente para permitir uma entrada peniana confortável.
• Situacional - lubrificação ocorre apenas em algumas situações. |
I Consenso
Internacional DSF
1998 |
DESORDEM DA EXCITAÇÃO SEXUAL
Inabilidade persistente ou recorrente para atingir ou manter excitação sexual suficiente, causando angústia pessoal, que pode ser expressa como falta de excitação subjetiva ou genital (lubrificação/turgescência) ou outras respostas somáticas. |
I Consenso
Internacional DE
1999 |
DESORDEM DA EXCITAÇÃO SEXUAL
Em geral, essa desordem está relacionada com dificuldade de vasocongestão e lubrificação genital.
É necessário ser esclarecido se a baixa excitação relatada pelas mulheres realmente está vinculada à falta de excitação fisiológica.
Em alguns trabalhos de psicofisiologia, a correlação entre a resposta genital e subjetiva da mulher varia de acordo com inúmeros fatores. No entanto, os dados mostram que um baixo nível de excitação pode ocorrer mais provavelmente quando a mulher se sente sexualmente culpada ou não se percebe sensual, do que por um baixo nível fisiológico de excitação. |
II Consenso Brasileiro
2002 |
DISFUNÇÃO DE EXCITAÇÃO
Inabilidade, persistente ou recorrente, de obter ou manter suficiente excitação sexual ou bloqueio da lubrificação vaginal ou de outros componentes da resposta excitatória. |
I Consenso Latinoamericano
2002 |
DIFICULDADE NA EXCITAÇÃO SEXUAL
Inabilidade, persistente ou recorrente, para obter e/ou manter suficiente excitação sexual que causa aflição pessoal. Pode manifestar-se como uma perda subjetiva da excitação ou a perda da lubrificação, congestão genital ou outra resposta somática. |
II Consenso Internacional
2003 |
DESORDENS DA EXCITAÇÃO SEXUAL
É recomendado confirmar que a resposta fisiológica de vasocongestão na genitália esteja saudável em resposta a uma estimulação sexual erótica. Deste modo, pode-se descartar o problema fisiológico quando a mulher se queixar de falta de excitação subjetiva.
Deve-se reconhecer os seguintes subtipos:
• Subjetiva – ausência ou diminuição marcante da sensação de excitação sexual (excitação e prazer sexual) mediante qualquer tipo de estimulação sexual. Lubrificação vaginal ou outros sinais de resposta física ainda ocorrem.
• Subjetiva e Genital Combinada - ausência de ou sensação marcantemente diminuídas de excitação sexual (excitação e prazer sexual) mediante qualquer tipo de estimulação sexual, assim como queixa de ausência ou diminuição de excitação sexual genital (turgescência vulvar, lubrificação).
• Genital - queixa de ausência ou diminuição de excitação sexual genital. Auto-relato pode incluir mínima turgescência vulvar ou lubrificação vaginal mediante qualquer tipo de estimulação sexual e sensações sexuais reduzidas das carícias genitais. Excitação sexual subjetiva ainda ocorre por estímulos não genitais.
• Persistente - antigamente considerada extremamente rara, a queixa de latejo genital espontâneo intruso sem alívio com o orgasmo, na prática clínica tem aumentado. O consenso propõe a seguinte definição provisória:
Excitação genital indesejada e intrusa espontânea (exemplo: formigamento, latejo, pulsação) na ausência de interesse e desejo sexual. Qualquer consciência de excitação subjetiva é tipicamente, mas não invariavelmente desagradável. A excitação não é aliviada por um ou mais orgasmos e a sensação de excitação persiste por horas ou dias. |
Atualizações de informações que merecem atenção e estudo |
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DSM-IV
1995 |
302.73 – TRANSTORNO ORGÁSMICO FEMININO
É um atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual. As mulheres apresentam uma ampla variabilidade no tipo ou intensidade da estimulação que leva ao orgasmo. O diagnóstico de Transtorno Orgásmico Feminino deve fundamentar-se no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que se poderia esperar para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.
A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. |
CID-10
1998 |
F52.3 - DISFUNÇÃO ORGÁSMICA
O orgasmo nunca foi experimentado em qualquer situação.
A disfunção se desenvolveu após um período de resposta relativamente normal.
A disfunção apresenta três aspectos: • Normal - quando a entrada vaginal não é sentida, uma resposta sexual normal pode ocorrer, qualquer tentativa de contato sexual leva a medo e esforços generalizados para evitar a entrada vaginal.
• Geral - ocorre em todas as situações e com qualquer parceiro.
• Situacional - ocorre em certas circunstâncias: durante o sono, nunca em vigília, nunca ocorre na presença de seu par, ocorre na presença de seu par, nas não durante o intercurso. |
I Consenso
Internacional DSF
1998 |
DESORDEM ORGÁSMICA
Dificuldade persistente ou recorrente, retardo em ou ausência de atingir orgasmo após suficiente estimulação ou excitação sexual, que causa angústia pessoal. |
I Consenso Internacional DE - 1999 |
DESORDEM ORGÁSMICA
FOI MANTIDA A DEFINIÇÃO DO I CONSENSO INTERNACIONAL DE DSF DE 1998. |
II Consenso Brasileiro
2002 |
ANORGASMIA
Dificuldade, retardo ou incapacidade de obter orgasmo após suficiente estímulo sexual e excitação, causando desconforto à mulher. |
I Consenso Latinoamericano
2002 |
DIFICULDADE DE ORGASMO
Retardo, ausência ou dificuldade, persistente ou recorrente, de atingir o orgasmo após uma fase de excitação normal, que causa aflição pessoal. |
II Consenso Internacional
2003 |
DESORDEM ORGÁSMICA DA MULHER
Embora haja um auto-relato de excitação sexual alta, há tanto falta de orgasmo, marcadamente de intensidade diminuída de sensações orgásmicas, assim como retardo do orgasmo mediante qualquer tipo de estimulação. |
Atualizações de informações que merecem atenção e estudo |
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DSM-IV
1995 |
302.76 – DISPAREUNIA (não devido a uma condição médica geral)
É dor genital associada com o intercurso sexual. Embora a dor seja experimentada com maior freqüência durante o coito, ela também pode ocorrer antes ou após o intercurso. O transtorno pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres. Em mulheres, a dor pode ser descrita como superficial, durante a penetração, ou profunda, durante as investidas do pênis. A intensidade dos sintomas pode variar desde um leve desconforto até uma dor aguda.
A perturbação provoca acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. |
CID-10
1998 |
F52.6 - DISPAREUNIA NÃO ORGÂNICA
A dor é experimentada na entrada na vagina seja por intercurso sexual ou apenas quando ocorre investida profunda do pênis.
O transtorno não é atribuível a vaginismo ou falha de lubrificação: a dispareunia de origem orgânica deve ser classificada de acordo com o transtorno subjacente. |
I Consenso
Internacional DSF
1998 |
DESORDENS DE DOR SEXUAL
Podem ser:
• Dispareunia - é dor genital persistente ou recorrente associada com intercurso sexual.
• Vaginismo - é espasmo involuntário persistente ou recorrente da musculatura do terço externo da vagina que interfere com a penetração vaginal que causa angústia pessoal.
• Dor sexual não coital - é dor genital persistente ou recorrente induzida por estimulação sexual não coital. |
I Consenso Internacional
DE - 1999 |
DESORDENS DE DOR SEXUAL
FOI MANTIDA A CLASSIFICAÇÃO E AS DEFINIÇÕES DO I CONSENSO INTERNACIONAL DE DSF DE 1998.
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II Consenso Brasileiro
2002 |
DISPAREUNIA
Dor persistente ou recorrente associada com um intercurso sexual. |
I Consenso Latinoamericano
2002 |
DOR SEXUAL
• Dispareunia - dor genital persistente ou recorrente associada com relação sexual, que causa aflição pessoal.
• Vaginismo - espasmo involuntário, persistente ou recorrente, da musculatura do terço externo da vagina que interfere com a penetração vaginal e causa aflição pessoal.
• Dor sexual não coital - dor genital, persistente ou recorrente, induzida por uma estimulação sexual não coital, que causa aflição pessoal. |
II Consenso Internacional
2003 |
DESORDENS DE DOR SEXUAL
Podem ser:
• Dispareunia - é dor persistente ou recorrente com tentativa ou penetração vaginal completa e/ou relação sexual.
• Vaginismo - são dificuldades persistentes ou recorrentes da mulher para permitir penetração vaginal do pênis, do dedo, e/ou qualquer objeto, apesar do desejo expresso da mulher.
Geralmente há evitamento (fóbico) e antecipação, medo da experiência de dor, junto com contração muscular pélvica involuntária variável. Deve-se descartar anormalidades físicas ou estruturais. |
Atualizações de informações que merecem atenção e estudo |
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DSM-IV
1995 |
306.51 – VAGINISMO (não devido a uma condição médica geral)
É a contração involuntária, recorrente ou persistente, dos músculos do períneo adjacentes ao terço inferior da vagina, quando é tentada a penetração vaginal com pênis, dedo, tampão ou espéculo.
A perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.
Em algumas mulheres, até mesmo a previsão da penetração vaginal pode provocar espasmo muscular. A contração pode variar desde leve, induzindo alguma tensão e desconforto, até severa, impedindo a penetração. |
CID-10
1998 |
F52.5 - VAGINISMO NÃO ORGÂNICO
Espasmo dos músculos perivaginais suficiente para impedir a entrada do pênis ou torná-la desconfortável.
Formas:
• resposta normal nunca foi experimentada,
• vaginismo desenvolveu-se após um período de resposta relativamente normal. |
I Consenso
Internacional DSF - 1998 |
VAGINISMO
O VAGINISMO FOI CONSIDERADO E INCLUÍDO COMO DESORDEM DE DOR. |
I Consenso
Internacional DE - 1999 |
VAGINISMO
O VAGINISMO FOI CONSIDERADO E INCLUÍDO COMO DESORDEM DE DOR. |
II Consenso Brasileiro
2002
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VAGINISMO
Recorrência ou persistência de espasmo involuntário da musculatura do terço externo da vagina interferindo no coito vaginal, causando desconforto pessoal. |
I Consenso Latinoamericano
2002 |
VAGINISMO
O VAGINISMO FOI CONSIDERADO E INCLUÍDO COMO DESORDEM DE DOR. |
II Consenso Internacional
2003 |
VAGINISMO
O VAGINISMO FOI CONSIDERADO E INCLUÍDO COMO DESORDEM DE DOR. |
Atualizações de informações que merecem atenção e estudo |
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I Consenso Internacional DSF
1998 |
CICLO DE RESPOSTA SEXUAL
Tanto o CID-10 quanto o DSM-IV reconhecem a necessidade de um critério subjetivo de angústia para definir a disfunção sexual.
Ambos basearam-se no primeiro modelo do ciclo de resposta sexual descrito por Masters e Johnson (1966 e 1970) e posteriormente modificado por Kaplan (1979) (Basson et al. 2000).
Este modelo consiste em uma seqüência temporal e coordenação de diversas fases: desejo sexual (libido), excitação, orgasmo e satisfação. |
I Consenso Internacional DE
1999 |
CICLO DE RESPOSTA SEXUAL
Os estágios do ciclo de resposta sexual foram mantidos. Porém, a imagem antes considerada linear agora foi substituída pela circular, incluindo a fase física de resolução, com sua função homeostática de retornar ao estado basal e a avaliação emocional da experiência. |
II Consenso Brasileiro
2002 |
CICLO DE RESPOSTA SEXUAL
É considerada a resposta sexual humana como trifásica: desejo, excitação e orgasmo. |
I Consenso Latinoamericano
2002 |
CICLO DE RESPOSTA SEXUAL
Foi mantido o sistema trifásico: desejo, excitação e orgasmo. |
II Consenso Internacional
2003 |
CICLO DE RESPOSTA SEXUAL
O conceito tradicional de uma seqüência linear dos eventos focalizados, principalmente, na genitalidade não se mostrou útil na investigação e abordagem das dificuldades e disfunções sexuais femininas.
Vários estudos baseados em diversos níveis de evidência mostram que o corpo e a mente não seguem sempre um mesmo padrão de resposta sexual (como preconizado anteriormente). Particularmente, para as mulheres, nem sempre é o desejo que as move para buscar a experiência sexual. Elas podem iniciá-la em um estado de neutralidade e chegar ao intercurso sexual após carícias e infinitas outras estimulações e motivações.
Assim, este consenso mostra que os fatores que levam uma mulher à relação sexual não seguem uma ordem pré-estabelecida, variam de mulher para mulher e das circunstâncias envolvidas. |
Atualizações de informações que merecem atenção e estudo |
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Os consensos recomendam que, ao se fazer a avaliação das disfunções sexuais femininas, se investigue:
1 - A CRONOLOGIA DE AQUISIÇÃO
Primária : sempre esteve presente desde o início da atividade sexual (investigar infância, adolescência e relacionamentos anteriores).
Secundária : foi adquirida após atividade sexual normal (investigar o contexto psicológico e médico que ocorria quando a disfunção se instalou).
2 - AS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE OCORRE
Situacional : a disfunção ocorre apenas em algumas circunstâncias, isso sugere que não há falha na resposta sexual orgânica.
Generalizada : se manifesta em todas as situações e mediante quaisquer estímulos sexuais.
3 - A ETIOLOGIA
Orgânicas : quando existe comprometimento físico comprovado.
Psicológicas : quando apenas fatores emocionais estão envolvidos.
Mistas : uma combinação de fatores orgânicos e psicológicos.
4 - O GRAU DE SOFRIMENTO PESSOAL E DA DISFUNÇÃO
Nenhum, leve, moderado e severo.
5 - O CONTEXTO
Passado : educação negativa, perdas, traumas (físicos, sexuais, emocionais, relacionamentos interpessoais passados, restrições culturais e religiosas).
Presente : dificuldades interpessoais, disfunção sexual do parceiro, estimulação inadequada e contextos emocionais sexuais não satisfatórios.
Físico : condições médicas e psiquiátricas, medicamentos, abuso de drogas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Basson R, Leiblum S, Brotto L, Derogatis L, Fourcroy J, Fugl-Meyer K, Graziottin A, Heiman JR, Laan E, Meston C, Schover L, van Lankveld J, Schultz WW. Revised definitions of women's sexual dysfunction. J Sex Med . * 2004;1(1):40-57.
CID-10. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Critérios diagnósticos para pesquisa. Porto Alegre:Artes Médicas, 1998. p.133-136.
Consenso Brasileiro I. Damião R, Glina S, Jardim CRF, Telöken C (coords.) I Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil . São Paulo, Rio de Janeiro: BG Cultural, Sociedade Brasileira de Urologia; 1998. 112p.
Consenso Brasileiro II. Wroclawski ER, Torres LO. (coords.) II Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil e Reunião de Diretrizes Básicas em Disfunção erétil e Sexualidade . São Paulo, Rio de Janeiro: BG Cultural, Sociedade Brasileira de Urologia; 2002. p.55-67.
Consenso Internacional I. Jardin A, Wagner G, Khoury S, Giuliano F, Padma-Nathan H, Rosen R, editors. Erectile dysfunction. 1st International Consultation on Erectile Dysfunction, July 1-3, 1999 , Paris . Paris : Health Publications, 2000; 726p.
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DSM-IV. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. p.467-488.
Goldstein I, Graziottin A, Heiman, JR, Johannes C, Laan E, Levin RL, McKenna KE. Female sexual dysfunction. In: Jardin A, Wagner G, Khoury S, Giuliano F, Padma-Nathan H, Rosen R. Erectile dysfunction. 1 st International Consultation on Erectile Dysfunction, July 1-3, 1999 , Paris . Paris : World Health Organization (WHO), International Society for Impotence Research (ISIR), Société Internationale d'Urologia (SIU), 2000. p.507-556.
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Masters WH, Johnson VE, Kolodny RC. Human sexuality. 3a ed. Illinois : Scott, Foresman, 1988. p.19 e 499-532.
*Journal of Sexual Medicine é (a nova revista da ISSIR - International Society for Sexual and Impotence Research, cujo nome será mudado no próximo congresso bienal, em outubro para International Society of Sexual Medicine, sua indexação está prevista para agosto de 2005).

Cila Ankier é psicóloga e membro da ISSM - International Society of Sexual Medicine.
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