SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

 
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VEJA AQUI OS ARTIGOS DESTA EDIÇÃO:

Edição 01 - Julho/Setembro - 2004

Antropometria Peniana
“Qual é o tamanho normal, doutor”

“Antropometria Peniana em Brasileiros”


Disfunção Erétil
Fatores de Risco e Prevenção

Psicoterapia pode ser uma grande aliada do tratamento

Onde Estão os Pacientes?
Disfunções Sexuais Femininas
"O que é Comum?"

As Novas Abordagens e Teorias sobre a Resposta Sexual Feminina
Adolescentes
Adolescentes e o Sexo
Educação
Educação Sexual do Filho e da Filha
 

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Volume I - Número 1 - Julho/Setembro - 2004

Psicoterapia pode ser uma grande aliada do tratamento

Os registros históricos sugerem que as relações do homem com sua sexualidade foram mais amenas na antigüidade, se comparadas com os tempos modernos.
Em épocas remotas, prevaleceu o matriarcado, pois a luta pela sobrevivência do homem exigia que as mulheres criassem um cinturão mínimo de segurança para proteção dos filhos.

Dando um salto na história, vamos encontrar os gregos e seus refinados princípios civilizatórios entre os quais as manifestações da sexualidade eram recebidas com tranqüila naturalidade.

Se fossemos escrever uma história sexual do Ocidente, iríamos constatar que nem gregos nem romanos pesaram tanto em nossas vidas como a chamada civilização judaico-cristã. Nela foram estabelecidos o princípio do patriarcado, a monogamia e o casamento monogâmico como uma instituição divina destinada à reprodução combinada com as necessárias satisfações sexuais.

Na Idade Média, assistimos a uma curiosa acomodação das regras morais e na Renascença com a celebração do intelecto, do conhecimento e das manifestações artísticas que implicaram limitações mais claras da atividade sexual.

A repressão sexual ganhou intensidade a partir do século XVII e se agravou com a expansão do capitalismo, que ou a considerar o sexo uma atividade pouco rentável e podia desviar as atenções e energias de atividades mais produtivas comercialmente.

Como ninguém é de ferro para suportar um instinto tão poderoso como o sexual e de todos os sentimentos e emoções decorrentes, era inevitável que surgisse alguém como Freud para abrir os debates e a partir dele outros estudiosos prosseguiram até nos nossos dias.

As dificuldades sexuais, principalmente a disfunção erétil, à exceção é claro, de homens idosos ou com problemas orgânicos, tem muito a ver com o contexto de repressão psicológica agravada por causas sociais.

Nos dias atuais, principalmente após o surgimento da pílula anticoncepcional, os movimentos de emancipação feminina e mais recentemente com o surgimento do Viagra, descobriu-se o fio condutor para uma incursão oportuna pelos conflitos de natureza afetiva e sexual que afligem a maioria dos casais.

A disfunção erétil, popularmente conhecida com impotência sexual, acarreta um sentimento de vergonha e humilhação que a tendência do homem com esse problema é se esconder evitando mesmo procurar tratamento.

A grande ironia é que a maior barreira para solucionar o problema é justamente a resistência dele em aceitá-lo. É mais fácil para certos homens admitir um câncer, mas não um problema de potência. Quem tem problemas nessa área sexual passa grande parte do tempo preocupado com as repercussões (separação, infidelidade) e os meios para a sua resolução.

O homem com dificuldade sexual não consegue concentrar-se no trabalho, sofre diante de conversas sobre sexo, evita comentar sobre uma cena sensual na TV, agravando a sua insegurança e entrando num processo de auto depreciação, tristeza constante e idéias obsessivas sobre a sua problemática vida sexual. O transtorno é tão intenso que esses homens ficam dominados pela ansiedade e impossibilitados de interagir afetivamente.

Na área psicológica, os tratamentos são antigos, não invasivos e dependendo do enfoque psicoterápico os resultados são altamente satisfatórios, com recuperação total da função sexual de forma definitiva.

É importante assinalar que em decorrência do impacto emocional causado pela disfunção erétil, torna-se difícil e mesmo insuportável, para a maioria dos homens, submeter-se às terapias de base analítica que têm longa duração (reconstrutivas), as quais não têm revelado bons resultados, devido ao alto índice de abandono.
O homem disfuncional vem se mostrando lentamente mais receptivo à terapia psicológica breve, que enfoca os aspectos afetivos e sexuais, a chamada terapia sexual. Seus precursores foram William Master e Virgínia Johnson e mais tarde, nos anos 80, a psicanalista Helen Kaplan.

Nos anos 70 e 80, com aumento dos debates sobre vida a dois, a ascensão da mulher na sociedade parece ter agravado as inseguranças masculinas e as terapias psicológicas de longa duração não conseguiram atenuar ou eliminar os sintomas sexuais, à medida que a sexualidade passa a ser visualizada sempre dentro de um conjunto de conflitos que são trabalhados num todo. Isso invariavelmente leva anos e o portador da disfunção se sente ameaçado pelas suas fantasias e temores de rompimento com a parceira, agravados pela baixa estima e medo da infidelidade.

A angústia desses homens levou a medicina a dar-lhes algumas respostas com tratamentos invasivos, como a implantação de próteses penianas, eficazes, mas com algumas dificuldades de adaptação do casal e a auto-injeção à base de vasodilatadores, surgida nos últimos 20 anos, apesar de invasiva, a sua aplicação sempre foi motivo de transtornos e dificuldades, apesar de ser útil na reaquisição da potência sexual. Simultaneamente, com o trabalho de Master e Johnson e Kaplan desenvolveram-se as terapias breves, focalizadas ou orientadas objetivamente para a queixa sexual. Foi uma maneira inteligente e objetiva, de abordagem da problemática sexual, começando pela valorização da informação e educação na tentativa de quebrar mitos e preconceitos.

A redução dos focos de ansiedade e um trabalho conjunto do casal, com destaque e importância da parceria na vida a dois, possibilitou muitos homens a valorizar o papel da mulher, desenvolver atitudes de companheirismo e solidariedade, com melhora da qualidade do vínculo entre eles e novas descobertas em dar e receber amor tornando a relação mais leve e transparente.
Essa abordagem breve, focada na revalorização dos afetos e maior intimidade com a sexualidade trouxe bons resultados num período médio de um ano.
Nesses últimos cinco anos, com o surgimento do Sildenafil muita tinta e papel foram gastos para estimular o debate sobre problemas sexuais. O homem já não espera quatro anos para buscar tratamento. Os mais velhos, apesar do ranço machista, reconhecem a coragem e a ousadia feminina. Os mais jovens reconhecem suas inseguranças e passam a ver na mulher a necessidade de preservar e melhorar a qualidade do relacionamento.

O surgimento da terapia oral, de início, teve aspectos polêmicos, conservadores e certo terrorismo à medida que falar de prazer é mais difícil que falar de dor e sofrimento - herança judaico-cristã.

O uso do Sildenafil teve um impacto quase mágico, à medida que após uma hora de sua ingestão, o homem disfuncional, se estimulado de forma carinhosa, volta a mostrar vigor na sua ereção aumentando o interesse pelo sexo, até então em queda livre.

Por outro lado, a mulher, insegura e enciumada, tenta entender essa mudança tão rápida no comportamento sexual. Tem sido necessário um debate e esclarecimentos mais amplos por médicos e psicólogos.

Ainda estamos num processo de entendimento da importância da terapia oral. É comum homens omitirem o uso, por vergonha ou tentando atribuir de forma narcisista a sua performance sexual à sua capacidade pessoal.

É importante salientar que a terapia oral vem somar recursos na busca da recuperação da confiança sexual e estimular a aproximação do casal, que não pode perder a oportunidade para trabalhar ou questionar a qualidade do relacionamento e seus conflitos.

A possibilidade de desenvolver dependência psicológica ao medicamento está intimamente ligada à personalidade do usuário (sociopata) e a falta de controle ou acompanhamento médico ou psicológico.

A parceria desenvolvida nesses últimos cinco anos entre a terapia sexual e a oral tem reduzido o tempo de resolução da disfunção erétil, principalmente as formas leves e moderadas para um período de 4 a 6 meses. Nos casos onde há implicações psicopatológicas mais severas, a duração da terapia é acima de um ano.

Finalmente, gostaria de salientar que esse novo enfoque terapêutico independente do tempo de resolução permite ao homem disfuncional observar melhoras na sua disposição sexual, e isso o mantém vinculado ao tratamento de forma mais tranqüila, reduzindo significativamente o índice de abandono. Trata-se de uma aliança que está dando bons resultados.

 

Moacir Costa - É médico psicoterapeuta e autor do livro “Amar Bem” – Ed. Gente.

 

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