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Volume I - Número 1 - Julho/Setembro - 2004
Os fatores de risco e prevenção
Disfunção Erétil é a incapacidade persistente de se obter e manter
uma ereção suficiente para uma função sexual satisfatória.
Em estudos realizados no Brasil sobre a epidemiologia da disfunção erétil, estima-se que atualmente, em nosso país, existam mais de 25 milhões de homens com mais de 18 anos que sofram algum grau de disfunção erétil e que 11,3 milhões tenham disfunção moderada ou grave, mostrando que este deve ser considerado um problema de saúde pública importante em nosso meio.
Estudos brasileiros sobre a incidência de disfunção erétil em homens brasileiros mostram que cerca de 1 milhão de novos casos surgem a cada ano em homens de 40 a 70 anos de idade. Inúmeros trabalhos realizados ao redor de todo o mundo mostram uma prevalência de disfunção erétil em torno de 50% da população – esta prevalência está relacionada à idade e às comorbidades que podem aparecer com o envelhecimento, como insuficiência vascular, alterações neurológicas e hormonais, diabetes, fatores psicológicos, depressão, entre outras.No entanto, a disfunção erétil também está associada a inúmeros outros fatores não relacionados com a idade. Já foram identificados vários outros fatores de risco potenciais - alguns consistentemente comprovados em estudos epidemiológicos, outros provavelmente associados e outros sem evidências consistentes. O Quadro 1 mostra os fatores potenciais e seu grau de associação com a disfunção erétil de acordo com estudos epidemiológicos existentes. Esse quadro faz está publicado na íntegra no II Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil (2002).
 O capítulo abaixo também faz parte do II Consenso Brasileiro:
Estudos epidemiológicos descritivos e analíticos realizados nos últimos anos, com levantamentos da prevalência e incidência da disfunção erétil em populações com características e idades diferentes, têm permitido identificar vários fatores de risco para a Disfunção Erétil. Em decorrência de inúmeras variáveis que interagem de forma complexa e simultânea em indivíduos com Disfunção Erétil, decorrente de fatores psicológicos e físicos, muitas vezes existem dificuldades em se confirmar cientificamente alguns fatores de risco teoricamente esperados.
Fatores de risco
- Fatores de risco gerais.
- Hormonal ou endócrino.
- Tabagismo
- Diabete melito.
- Outras doenças crônicas
- Doenças cardiovasculares e
hipertensão arterial
- Medicações e drogas recreacionais.
- Cirurgia e trauma.
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Fatores de risco gerais
São divididos em três categorias: saúde geral, status social e experiências sexuais.
- Saúde geral: são relacionadas situações de estresse e alterações emocionais como fatores de risco. A presença de sintomas urinários é associada com ejaculação precoce e disfunção erétil.
- Status social: mudanças do ponto de vista econômico dobram a possibilidade de disfunção erétil.
- Experiência sexual: várias situações resultam em risco aumentado de disfunção sexual. Homens vítimas de abusos sexuais na infância têm três vezes mais possibilidades de desenvolverem disfunção erétil.
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FATORES DE
RISCO ESPECÍFICOS
Hormonal ou endócrino
Os níveis séricos de testosterona, prolactina, FSH e LH em homens de várias idades foram analisados em diferentes estudos na literatura. Spark et al encontraram disfunção neuroendócrina em 1% de homens impotentes, enquanto Slag et al relataram hipogonadismo em 19%, hipotireoidismo em 5%, hipertireoidismo em 1% e hiperprolactinemia em 4% em estudo de 188 pacientes com DE e média de idade de 60 anos.
Existem evidências concretas de que o hipogonadismo, além de diminuir a libido, determina redução de ereções diurnas espontâneas e das tumescências penianas noturnas (TPNs) existentes no período REM (“rapid eye moment”) do sono, como preservação das ereções processadas no sistema nervoso central por ocasião de estímulos visuais e no jogo amoroso. Com o avançar da idade pode haver declínio androgênico, com impacto negativo na função sexual.
Tabagismo
O uso de tabaco é claramente um fator de risco para DE. O tabagismo é relacionado como fator de risco independente no desenvolvimento de lesões ateroscleróticas nas artérias pudenda interna e peniana comum em homens jovens com DE. Em um grupo de pacientes do MMAS - Massachusets Male Aging Study (Feldman 1994), o tabagismo exacerbou o risco de impotência associado com doença cardiovascular e o uso de certos medicamentos. No entanto, nesse mesmo estudo o efeito geral do tabagismo não foi determinado com DE de 11% dos tabagistas e 9,3% de não-tabagistas. As evidências de tal associação são devidas à consistência da relação do tabagismo com doença endotelial e reforçada pela associação da DE com outras alterações endoteliais.
Diabete melito
A prevalência de DE em diabéticos foi estimada entre 35% e 75%, segundo estudos disponíveis na literatura.
A DE ocorre em pelo menos 50% dos homens com diabete melito com até dez anos de diagnóstico.
Cada uma das repercussões do diabete melito nos tecidos como: efeito nas pequenas artérias e arteríolas, desmielinização neurológica e deterioração da musculatura lisa sinusoidal, tem sido implicada como fator etiológico associado à dificuldade erétil.
Outras doenças crônicas
Doenças neurológicas crônicas correlacionam-se com alto risco para DE.
A disfunção sexual é muito comum em doença de Parkinson, esclerose múltipla, depressão, insuficiência renal crônica (em 40% dos pacientes, pela hiperprolactinemia, hipogonadismo, hiperparatireoidismo e deficiência do zinco), DBPOC – Doença Broncopulmonar Obstrutiva Crônica (talvez associada com a dependência do oxigênio para síntese do óxido nítrico).
Recentemente, foram relacionados os sintomas do trato urinário inferior com a DE.
Doenças cardiovasculares e hipertensão arterial
Os fatores de risco cardiovasculares incluem hipertensão arterial, dislipidemia (hipercolesterolemia etc.), diabete, tabagismo, obesidade, sedentarismo etc. Todos eles estão relacionados à doença aterosclerótica, que pode afetar qualquer segmento arterial e, conseqüentemente, participar dos mecanismos responsáveis pela disfunção erétil.
 A DE, por sua vez, pode ser um elemento preditivo de doença arterial coronária (DAC).
Medicação e drogas recreacionais
O estudo MMAS (Feldman 1994) evidenciou uma correlação significativa entre DE e o uso de vasodilatadores, anti-hipertensivos, medicamentos cardiológicos e hipoglicemiantes – (Quadro 2).
As drogas recreacionais mais freqüentes associadas à DE são: álcool, maconha, codeína, cocaína, heroína, metadona e outras.
Cirurgia e trauma
Cirurgia e trauma no cérebro, medula espinhal e região pélvica, estão associados com aumento do risco de DE, podendo, inclusive representar uma causa etiológica única. Nessas situações, podem ocorrer lesões da inervação ou suprimento arterial do pênis, afetando a ereção.
As entidades clínicas aqui incluídas são:
• traumatismo crânio-encefálico,
• cirurgias no cérebro,
• laminectomia lombar,
• lesão medular,
• linfadenectomia retroperitoneal sem preservação de nervos,
• aneurismectomia da aorta abdominal, e particularmente,
• cirurgias radicais para câncer do intestino e geniturinárias.
A radioterapia para o câncer de próstata também está relacionada com a DE, ainda que mais tardiamente comparada com os sintomas imediatos da cirurgia.
Cirurgias e traumas da uretra membranosa também podem resultar em risco para DE.
Efeito das modificações dos fatores de risco
O comportamento sedentário é associado ao desenvolvimento de DE, com maior risco de disfunção para aqueles que permanecem sem atividade física adequada.
O menor nível de risco para DE entre todos fatores analisados ocorreu nos indivíduos que iniciaram atividades físicas depois de qualificados como sedentários no inicio do estudo. O aumento da atividade física é efetivo para reverter outros fatores de risco cardiovasculares e parece demonstrar similar benefício para a prevenção da DE.
Aconselhamento, ajustamento de estilo de vida e modificação dos fatores de risco, incluindo medicações adversas, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e ausência de atividade física, são os primeiros passos para uma abordagem holística em relação ao tratamento eficaz da DE. A prevenção da DE por meio de mudanças dos fatores de risco requer intervenção precoce. Entretanto, exercícios moderados mantidos com regularidade podem reduzir o risco de DE, principalmente em homens que iniciam os programas de atividades físicas já na meia-idade. Mais informações são sobre cuidados e mudanças de hábitos de vida.
Estratégias de prevenção
• Focar a atenção preventiva nos fatores de risco e nas eventuais comorbidades.
Os estudos demonstram associações entre DE, doença cardíaca, doença vascular periférica e acidente vascular cerebral, sugerindo que a DE pode ser um evento sentinela para a aterosclerose.
A DE compartilha de vários fatores de risco modificáveis com doença vascular, incluindo tabagismo, hipertensão e níveis lipídicos desfavoráveis. A obesidade, o comportamento sedentário e o alcoolismo crônico também têm implicações na gênese da DE. A relação entre DE e doença vascular sugere que os fatores de risco comuns podem ser alvos promissores para a prevenção.
O envelhecimento é um importante fator de risco para DE, assim como diabete, aterosclerose e tabagismo, um denominador comum é a redução da eficácia da via Nitrato Óxido/GMPc, sendo desejável o desenvolvimento de recursos mais eficazes para prevenir ou, pelo menos, minimizar a interferência negativa dessa via.
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Recomendações
• Não fumar.
• Manter níveis adequados de gordura e, em particular, de colesterol na dieta alimentar rotineira.
• Praticar exercícios físicos regularmente.
• Manter peso adequado.
• Controlar doenças que interferem na DE.
• Atenção aos medicamentos com efeitos adversos sobre a função erétil.
• Reduzir o estresse.
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Luiz Otavio Torres é presidente da SLAIS – Sociedade Latinoamericana para o Estudo da Impotência e Sexualidade, foi chefe do Depto. de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia durante o biênio de 2001-2003 e diretor científico da Sociedade Brasileira de Urologia-Minas Gerais durante o biênio de 2001-2003. É editor do Urominas (jornal oficial da SBU-MG) |
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
II CONSENSO BRASILEIRO DE DISFUNÇÃO ERÉTIL. São Paulo: BG Cultural, Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Urologia, 2002, 111p.
Damião R, Glina S, Teloken C (eds.) — I Consenso Brasileiro Sobre Disfunção Erétil [Sociedade Brasileira de Urologia]. São Paulo, SP: BG Cultural; 1998.
FELDMAN, H. A., GOLDSTEIN, I., HATZICHRISTOU, D. G. et al. Impotence and its medical and psychosocial correlates: results of the Massachusets Male Aging Study. J Urol, 151:54-61, 1994.
Slag e cols
Spark
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